No dia seguinte
mudámo-nos para Memorial City onde iríamos permanecer até ao dia da eleição. O
Riley alugou uma mansão luxuosa no prestigiado bairro de Golden Flats. Incluía
sete suítes, biblioteca, cinema imax, campo de basquetebol coberto, salão de
beleza, bowling com duas pistas, ginásio
e casa de hóspedes com dois quartos. A mansão foi feita pelo notável designer
Roy Sklarin. Nessa mesma noite que chegámos à Mansão, tentei contar à Lisa
sobre a Grace, mas faltou-me a coragem.
Lisa - Já
imaginaste o que pode acontecer se vencermos?
Oliver - Não
tenho pensado muito nisso. Não quero acabar iludido.
Lisa - Tens que
confiar no trabalho que fazemos, que foi incrível. Tu recebeste mais aplausos
em Al Jabar do que o próprio candidato islâmico.
Oliver -
Política é estranha. A qualquer momento, o jogo pode virar. Só teremos a certeza
que vencemos, quando saírem os resultados.
Lisa - Sim, não
deixas de ter razão.
Oliver - Vamos
aproveitar esses dias aqui para descansarmos.
Lisa - Sim. Boa
noite, amor!
Oliver - Boa
noite, querida.
Na manhã
seguinte, depois do pequeno-almoço, levei o Davi para a biblioteca.
Oliver - Estás
a ver esses livros?
Davi - Sim,
papá!
Oliver - O teu
bisavô escreveu esses livros para deixar o legado para o teu avô que passou
para mim. Percebeste?
Davi - Eu
percebo tudo, papá!
Oliver - Tu és
um miúdo esperto. Por isso, nunca te esqueças que se um dia tu quiseres, vais
ficar com esse legado.
Davi - Também
vou ser presidente?
Oliver - Tu
podes ser tudo o que quiseres! Segue sempre o teu coração.
Davi - A avó Abigail
disse que nascemos para liderar.
Oliver - Tu
podes ser líder em qualquer profissão.
Davi - Eu quero
ser jogador de futebol como Messi e o tio Hassan.
Oliver -
Ficarei feliz em ver-te a jogar. O que achas de entrares para uma escola de
futebol?
Davi - Posso?
Oliver - Claro
que podes! Eu convenço a mamã.
Davi -
Obrigado! És o maior!
Oliver - Anda!
Vamos lá para fora jogar.
Davi - Eu vou
vencer dessa vez.
Oliver -
Ninguém consegue vencer-me, filho.
Fomos para o
jardim jogar futebol. Na varanda do nosso quarto, a Lisa tirava-nos fotografias
com a Cannon EOS 6D que comprámos nas férias. No domingo, 15 de setembro de
2015, consequência da falta de sono durante a noite, acordei por volta das 4
horas da madrugada. Levantei-me com o máximo cuidado para não acordar a Lisa,
que dormia tranquilamente. Fui pela primeira vez, desde que chegámos à casa, ao
ginásio, onde corri durante quase duas horas para tentar afastar a ansiedade e
os nervos do dia da decisão final. A Lisa apareceu por volta das 7 da manhã.
Lisa - Estás
bem?
Oliver - Não
sei.
Lisa - Relaxa.
Vai dar tudo certo.
Oliver - Sim,
vai.
Lisa - Vem
comigo! Vamos preparar-nos para ir votar. As urnas abrem às 9 horas.
Oliver - São
quase oito horas. Temos que nos despachar. Daqui a pouco, o Riley vem cá
chatear-me a cabeça.
Preparamo-nos e
assim que a minha comitiva chegou, fomos todos para a Freedom Avenue, o local
que escolhi para exercer o meu direito de votar, pela primeira vez. Chegou a
minha vez de votar. Dirigi-me à mesa e fui atendido por uma jovem bastante
simpática e sorridente.
Oliver - Bom
dia!
Jovem - Bom dia,
senhor! Pode por favor escrever o seu nome e mostrar-me a sua identificação.
Oliver - Aqui
está.
Jovem -
Obrigado! Esteja à sua vontade.
Fui para uma
das cabines secretas e no boletim de voto, coloquei uma cruz ao lado da minha
foto. À saída da tenda onde votei, um
monte de jornalistas cercaram-me e respondi a algumas das perguntas que me
fizeram.
Jornalista - Como
te sentes hoje, Oliver?
Oliver -
Sinto-me ótimo. Vai ser um dia memorável.
Jornalista - O
facto de liderar as sondagens durante a campanha toda dá-lhe um conforto e
esperança de uma vitória, hoje à noite?
Oliver - Sondagens
são sondagens. Hoje teremos a certeza da preferência do povo. Não estou
convencido de que será fácil vencer.
Jornalista -
Qual será a sua primeira ação como Presidente se vencer hoje?
Oliver - Saberá
logo à noite.
Jornalista -
Está à espera de uma segunda ronda?
Oliver - Estamos
prontos para o que vier.
Riley - Acabaram-se
as perguntas. Com licença.
Passámos todo o
dia na mansão ansiosos que chegasse a noite. Quando faltava uma hora para o
fecho das urnas, eu e a Lisa fomos mudar de roupa. A Natalia preparou, para
mim, um Burberry Classic Fit Lã Suit azul escuro, com uma camisa Gucci de corte
francês e colar de punho de algodão, gravata borgonha da Brooks Brothers e abotoadura
de ouro com o rosto do Presidente Jacó Thomas. A Natalia não poupou esforços
para deixar Lisa parecer uma rainha, com um vestido cor de leite feito
exclusivamente para ela, com a assinatura da marca Alexander McQueen,
acompanhado com um L. K. Bennett London Sledge Pump, também cor de leite, brincos de pérolas da Joalharia Annoushka e,
na cabeça, um Fleur Ruffle Beret da Jane Taylor Chapéus.
Dirigimo-nos ao
Museu Frank Thomas onde iria fazer o discurso da vitória ou da derrota, após a
divulgação dos resultados. Já passavam 45 minutos das 17 horas, a hora em que
as urnas foram encerradas. Não tardava muito até os primeiros resultados
começarem a sair. Perto das 18h30, saíram os resultados da primeira cidade,
Adnual, onde vencemos com 91% dos votos. Logo a seguir, começaram a sair outras
cidades. Por volta das 20, saiu o resultado da cidade de Al Jabar, enquanto
acompanhávamos atentamente os resultados, no telejornal especial da NA Channel.
Riley - Não
acredito! Vencemos em Al Jabar!
Amilcar - Com
51% dos votos! Vencemos essa merda, Oliver!
Oliver - Vamos
manter a calma, pessoal. Ainda falta sabermos os resultados de Union e Memorial.
Lisa - Amor, se
vencemos em território islâmico, vencemos as eleições.
Ruby - Tu és o
terceiro presidente eleito da África do Norte!
Cate - Olhem!
Vencemos aqui em Memorial com 99%.
Oliver - Agora
sim, podemos celebrar porque demos cabo deles sem misericórdia!
Abigail -
Parabéns, meu filho!
Oliver - Obrigado,
mãe! Conseguimos!
As
garrafas de champanhe começaram a circular pela sala. Entretanto saiu o resultado
da cidade que faltava – Union – e vencemos com 78% dos votos. As únicas
derrotas foram nas cidades de Lampula, em que o Jamal conseguiu vencer com 88%
dos votos; de Gola, onde perdemos para o Partido Comunista da Moran que
conseguiu 57% dos votos. Perdemos também para o Jamal nas cidades de Yala, Bya,
Colmo, Goça e para Moran em Barma e Rhodes.
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