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«Eu Tenho o Poder»: Episódio 26 - «Dia da decisão final I»

 
No dia seguinte mudámo-nos para Memorial City onde iríamos permanecer até ao dia da eleição. O Riley alugou uma mansão luxuosa no prestigiado bairro de Golden Flats. Incluía sete suítes, biblioteca, cinema imax, campo de basquetebol coberto, salão de beleza, bowling  com duas pistas, ginásio e casa de hóspedes com dois quartos. A mansão foi feita pelo notável designer Roy Sklarin. Nessa mesma noite que chegámos à Mansão, tentei contar à Lisa sobre a Grace, mas faltou-me a coragem.
Lisa - Já imaginaste o que pode acontecer se vencermos?
Oliver - Não tenho pensado muito nisso. Não quero acabar iludido.
Lisa - Tens que confiar no trabalho que fazemos, que foi incrível. Tu recebeste mais aplausos em Al Jabar do que o próprio candidato islâmico.
Oliver - Política é estranha. A qualquer momento, o jogo pode virar. Só teremos a certeza que vencemos, quando saírem os resultados.
Lisa - Sim, não deixas de ter razão.
Oliver - Vamos aproveitar esses dias aqui para descansarmos.
Lisa - Sim. Boa noite, amor!
Oliver - Boa noite, querida.
Na manhã seguinte, depois do pequeno-almoço, levei o Davi para a biblioteca.
Oliver - Estás a ver esses livros?
Davi - Sim, papá!
Oliver - O teu bisavô escreveu esses livros para deixar o legado para o teu avô que passou para mim. Percebeste?
Davi - Eu percebo tudo, papá!
Oliver - Tu és um miúdo esperto. Por isso, nunca te esqueças que se um dia tu quiseres, vais ficar com esse legado.
Davi - Também vou ser presidente?
Oliver - Tu podes ser tudo o que quiseres! Segue sempre o teu coração.
Davi - A avó Abigail disse que nascemos para liderar.
Oliver - Tu podes ser líder em qualquer profissão.
Davi - Eu quero ser jogador de futebol como Messi e o tio Hassan.
Oliver - Ficarei feliz em ver-te a jogar. O que achas de entrares para uma escola de futebol?
Davi - Posso?
Oliver - Claro que podes! Eu convenço a mamã.
Davi - Obrigado! És o maior!
Oliver - Anda! Vamos lá para fora jogar.
Davi - Eu vou vencer dessa vez.
Oliver - Ninguém consegue vencer-me, filho.
Fomos para o jardim jogar futebol. Na varanda do nosso quarto, a Lisa tirava-nos fotografias com a Cannon EOS 6D que comprámos nas férias. No domingo, 15 de setembro de 2015, consequência da falta de sono durante a noite, acordei por volta das 4 horas da madrugada. Levantei-me com o máximo cuidado para não acordar a Lisa, que dormia tranquilamente. Fui pela primeira vez, desde que chegámos à casa, ao ginásio, onde corri durante quase duas horas para tentar afastar a ansiedade e os nervos do dia da decisão final. A Lisa apareceu por volta das 7 da manhã.
Lisa - Estás bem?
Oliver - Não sei.
Lisa - Relaxa. Vai dar tudo certo.
Oliver - Sim, vai.
Lisa - Vem comigo! Vamos preparar-nos para ir votar. As urnas abrem às 9 horas.
Oliver - São quase oito horas. Temos que nos despachar. Daqui a pouco, o Riley vem cá chatear-me a cabeça.
Preparamo-nos e assim que a minha comitiva chegou, fomos todos para a Freedom Avenue, o local que escolhi para exercer o meu direito de votar, pela primeira vez. Chegou a minha vez de votar. Dirigi-me à mesa e fui atendido por uma jovem bastante simpática e sorridente.
Oliver - Bom dia!
Jovem - Bom dia, senhor! Pode por favor escrever o seu nome e mostrar-me a sua identificação.
Oliver - Aqui está.
Jovem - Obrigado! Esteja à sua vontade.
Fui para uma das cabines secretas e no boletim de voto, coloquei uma cruz ao lado da minha foto.  À saída da tenda onde votei, um monte de jornalistas cercaram-me e respondi a algumas das perguntas que me fizeram.
Jornalista - Como te sentes hoje, Oliver?
Oliver - Sinto-me ótimo. Vai ser um dia memorável.
Jornalista - O facto de liderar as sondagens durante a campanha toda dá-lhe um conforto e esperança de uma vitória, hoje à noite?
Oliver - Sondagens são sondagens. Hoje teremos a certeza da preferência do povo. Não estou convencido de que será fácil vencer.
Jornalista - Qual será a sua primeira ação como Presidente se vencer hoje?
Oliver - Saberá logo à noite.
Jornalista - Está à espera de uma segunda ronda?
Oliver - Estamos prontos para o que vier.
Riley - Acabaram-se as perguntas. Com licença.
Passámos todo o dia na mansão ansiosos que chegasse a noite. Quando faltava uma hora para o fecho das urnas, eu e a Lisa fomos mudar de roupa. A Natalia preparou, para mim, um Burberry Classic Fit Lã Suit azul escuro, com uma camisa Gucci de corte francês e colar de punho de algodão, gravata borgonha da Brooks Brothers e abotoadura de ouro com o rosto do Presidente Jacó Thomas. A Natalia não poupou esforços para deixar Lisa parecer uma rainha, com um vestido cor de leite feito exclusivamente para ela, com a assinatura da marca Alexander McQueen, acompanhado com um L. K. Bennett London Sledge Pump, também cor de leite,  brincos de pérolas da Joalharia Annoushka e, na cabeça, um Fleur Ruffle Beret da Jane Taylor Chapéus.
Dirigimo-nos ao Museu Frank Thomas onde iria fazer o discurso da vitória ou da derrota, após a divulgação dos resultados. Já passavam 45 minutos das 17 horas, a hora em que as urnas foram encerradas. Não tardava muito até os primeiros resultados começarem a sair. Perto das 18h30, saíram os resultados da primeira cidade, Adnual, onde vencemos com 91% dos votos. Logo a seguir, começaram a sair outras cidades. Por volta das 20, saiu o resultado da cidade de Al Jabar, enquanto acompanhávamos atentamente os resultados, no telejornal especial da NA Channel.
Riley - Não acredito! Vencemos em Al Jabar!
Amilcar - Com 51% dos votos! Vencemos essa merda, Oliver!
Oliver - Vamos manter a calma, pessoal. Ainda falta sabermos os resultados de Union e Memorial.
Lisa - Amor, se vencemos em território islâmico, vencemos as eleições.
Ruby - Tu és o terceiro presidente eleito da África do Norte!
Cate - Olhem! Vencemos aqui em Memorial com 99%.
Oliver - Agora sim, podemos celebrar porque demos cabo deles sem misericórdia!
Abigail - Parabéns, meu filho!
Oliver - Obrigado, mãe! Conseguimos!
As garrafas de champanhe começaram a circular pela sala. Entretanto saiu o resultado da cidade que faltava – Union – e vencemos com 78% dos votos. As únicas derrotas foram nas cidades de Lampula, em que o Jamal conseguiu vencer com 88% dos votos; de Gola, onde perdemos para o Partido Comunista da Moran que conseguiu 57% dos votos. Perdemos também para o Jamal nas cidades de Yala, Bya, Colmo, Goça e para Moran em Barma e Rhodes.

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