
PT (Português)
- Texto da autoria de Pedro Bento (Line of Words)
Dona Ana de Sousa, também conhecida como Ngola Ana Nzinga Mbande, Rainha N'Ginga, Rainha Ginga, rainha Nzinga, Nzinga I, rainha Nzinga Ndongo, Nzinga Mbandi, Nzinga Mbande, Jinga, Singa, Zhinga, Ginga, Ana Nzinga, Ngola Nzinga, Nzinga de Matamba, rainha Nzingha de Ndongo, Ann Nzingha, Nxingha e Mbande Ana Nzingha. Pela quantidade de nomes é visível que não se trata de uma mulher qualquer.
Dona Ana de Sousa de nome de batismo ou Rainha Ginga foi rainha dos reinos do Ndongo e de Matamba no conturbado período histórico do século XVII. Entre inimigos e aliados, Ginga conquistava territórios sem limites. “Quanto maior um rei, menor lhe parece o mundo” - Rei Ginga, como exigia que fosse chamada profanou a famosa frase.
Após tão fraca introdução desta valente e conquistadora Mulher, vou então vos contar o que achei de mais uma obra-prima do grande escritor angolano José Eduardo Agualusa. Ainda o fim se avizinhava, eu já estendia largos elogios a esta obra, narrada pelo padre Pernambucano Francisco José da Santa Cruz que acabava de chegar a terras africanas, nomeadamente, a Angola, por volta do ano de 1620, ocupando o cargo de secretário da Rainha Ginga e enfrentando todos os desafios que lhe chegaram aos pés, um deles o idioma local de nome Quimbundo.
Padre Francisco não tardou a causar boa impressão e a fazer grandes amizades no reino do Ndongo, governado inicialmente pelo irmão de Ginga o rei Ngola Mbandi e, posteriormente, pelo Rei/Rainha Ginga Mbandi. Domingos Vaz ou Tandala, nome de ofício, era o tradutor da rainha, um negro fidalgo que, de início, simpatizou com o padre e, além de lhe oferecer uma casa para se hospedar, lhe oferecera também a sua esposa mais nova de nome Muxima. No príncipio, o senhor padre ficou muito ofendido e se recusara a tal oferta, mas logo percebeu que era o costume daquelas bandas - dos homens oferecerem uma das suas esposas, normalmente a mais nova para alguém que simpatizassem ou nutrificassem algum carinho.
Entre outros amigos que o padre Francisco fora fazendo, destacam-se Ingo, Sobrinho da rainha Ginga, um diplomata guerrilheiro a quem o padre acompanhara a Olinda (Recife), no Brasil, com o objetivo de firmarem uma aliança com a Holanda que conquistara Pernambuco aos portugueses.
Durante esta longa jornada, Ingo e Francisco tornaram-se grandes amigos, até já se consideravam irmãos, juntamente com Rafael o Português, que passará a pirata Mouro.
Este livro, que chamam de romance, mas que para mim é muito mais do que isso, devido à enchurrada de tópicos que são contados pelo narrador. Serve de afirmação ao poder de Ginga, tem uma abordagem simples e de fácil compreensão, coisa que os inúmeros livros de historia que relatam tais acontecimentos não apresentam. Este livro leva o leitor a uma viagem entre vários povos e culturas, como a tradição angolana e cigana; e retrata factos que aconteceram e que foram relevantes para muito dos povos incluídos.
No meu posto de vista, é quase obrigatório ser lido por todos os angolanos, de modo a não se esquecerem que o sangue que hoje carregamos nas nossas veias, muito deles foram derramados para que hoje possamos desfrutar de obras como esta. “Amamos não quem os nossos olhos enxergam, mas quem o nosso coração demanda”.
Do pouco romance que existe durante a narração, destaca-se o amor que foi nascendo dentro do Padre Francisco que abandonara Deus e passara a ser um ser humano livre como o mesmo descreve. Francisco vive uma intensa paixão correspondida na mesma intensidade ou até mais por Muxima, que fora mulher do seu amigo Domingo Vaz, mas não se deixem iludir. Esta paixão não foi uma traição, muito pelo contrário, foi de bom grado que Domingos Vaz cedeu Muxima ao seu grande amigo Francisco. Como todas as histórias de amor que sem altos e baixos torna-se aborrecido, Francisco e Muxima tiveram que viver esse amor a léguas um do outro. Para Muxima foi um fardo maior pois julgara Francisco morto.
Em contrapartida, Francisco passará as suas noites no calor do Brasil debruçado sobre as pernas da cigana Sula, que conhecera ainda em terras angolanas e que gostara de passar as noites na sua companhia.
“Por muito tempo que um tronco permaneça no rio nunca se transformará num crocodilo”
Dona Ana de Sousa de nome de batismo ou Rainha Ginga foi rainha dos reinos do Ndongo e de Matamba no conturbado período histórico do século XVII. Entre inimigos e aliados, Ginga conquistava territórios sem limites. “Quanto maior um rei, menor lhe parece o mundo” - Rei Ginga, como exigia que fosse chamada profanou a famosa frase.
Após tão fraca introdução desta valente e conquistadora Mulher, vou então vos contar o que achei de mais uma obra-prima do grande escritor angolano José Eduardo Agualusa. Ainda o fim se avizinhava, eu já estendia largos elogios a esta obra, narrada pelo padre Pernambucano Francisco José da Santa Cruz que acabava de chegar a terras africanas, nomeadamente, a Angola, por volta do ano de 1620, ocupando o cargo de secretário da Rainha Ginga e enfrentando todos os desafios que lhe chegaram aos pés, um deles o idioma local de nome Quimbundo.
Padre Francisco não tardou a causar boa impressão e a fazer grandes amizades no reino do Ndongo, governado inicialmente pelo irmão de Ginga o rei Ngola Mbandi e, posteriormente, pelo Rei/Rainha Ginga Mbandi. Domingos Vaz ou Tandala, nome de ofício, era o tradutor da rainha, um negro fidalgo que, de início, simpatizou com o padre e, além de lhe oferecer uma casa para se hospedar, lhe oferecera também a sua esposa mais nova de nome Muxima. No príncipio, o senhor padre ficou muito ofendido e se recusara a tal oferta, mas logo percebeu que era o costume daquelas bandas - dos homens oferecerem uma das suas esposas, normalmente a mais nova para alguém que simpatizassem ou nutrificassem algum carinho.
Entre outros amigos que o padre Francisco fora fazendo, destacam-se Ingo, Sobrinho da rainha Ginga, um diplomata guerrilheiro a quem o padre acompanhara a Olinda (Recife), no Brasil, com o objetivo de firmarem uma aliança com a Holanda que conquistara Pernambuco aos portugueses.
Durante esta longa jornada, Ingo e Francisco tornaram-se grandes amigos, até já se consideravam irmãos, juntamente com Rafael o Português, que passará a pirata Mouro.
Este livro, que chamam de romance, mas que para mim é muito mais do que isso, devido à enchurrada de tópicos que são contados pelo narrador. Serve de afirmação ao poder de Ginga, tem uma abordagem simples e de fácil compreensão, coisa que os inúmeros livros de historia que relatam tais acontecimentos não apresentam. Este livro leva o leitor a uma viagem entre vários povos e culturas, como a tradição angolana e cigana; e retrata factos que aconteceram e que foram relevantes para muito dos povos incluídos.
No meu posto de vista, é quase obrigatório ser lido por todos os angolanos, de modo a não se esquecerem que o sangue que hoje carregamos nas nossas veias, muito deles foram derramados para que hoje possamos desfrutar de obras como esta. “Amamos não quem os nossos olhos enxergam, mas quem o nosso coração demanda”.
Do pouco romance que existe durante a narração, destaca-se o amor que foi nascendo dentro do Padre Francisco que abandonara Deus e passara a ser um ser humano livre como o mesmo descreve. Francisco vive uma intensa paixão correspondida na mesma intensidade ou até mais por Muxima, que fora mulher do seu amigo Domingo Vaz, mas não se deixem iludir. Esta paixão não foi uma traição, muito pelo contrário, foi de bom grado que Domingos Vaz cedeu Muxima ao seu grande amigo Francisco. Como todas as histórias de amor que sem altos e baixos torna-se aborrecido, Francisco e Muxima tiveram que viver esse amor a léguas um do outro. Para Muxima foi um fardo maior pois julgara Francisco morto.
Em contrapartida, Francisco passará as suas noites no calor do Brasil debruçado sobre as pernas da cigana Sula, que conhecera ainda em terras angolanas e que gostara de passar as noites na sua companhia.
“Por muito tempo que um tronco permaneça no rio nunca se transformará num crocodilo”
EN (English)
- Translate: Yoleni Nascimento (thanks)
Mrs Ana de Sousa, also known as Ngola Ana Nzinga Mbande, Queen N’Ginga, Queen Ginga, Queen Nzinga, Nzinga I, Queen Nzinga Ndondo, Nzinga Mbandi, Nzinga Mbande, Jinga, Singa, Zhinga, Ginga, Ana Nzinga, Ngola Nzinga, Nzinga de Matamba, Queen Nzinga of Ndondo, Ana Nxingha and Mbande Ana Nzingha. Judging by the amount of name’s that she had, it is clear to see that she was a very important figure.
Mrs Ana de Sousa, her baptismal name, or Queen Ginga, was queen of the Ndondo and the Matamba Kingdoms, in the historic period of the 17th century. Among enemies and allies, Ginga conquered land with no limits. “The greater the king, the smaller the world seems” – king Ginga, is how she demanded that everyone call her, stated the famous quote.
After a very weak introduction of this courageous and conquering woman, I will tell you about what I thought about another masterpiece by the great Angolan writer, Jose Eduardo Agualusa. As the end drew nearer, I was already extensively complimenting this piece. It is narrated by a Pernambucan priest, Father Francisco Jose da Santa Cruz, that had arrived at the African countries, namely Angola, around the year 1620. He became Queen Ginga’s secretary, facing all the challenges that came towards him, including the local languages such as Quimbundo.
Father Francisco instantly made a good impression and good friendships in the Ndongo Kingdom, which was governed initially by Ginga’s brother, King Ngola Mbandi and formerly by King/queen Ginga Mbandi. Domigos Vaz or Tandala, his job tittle, was the Queen’s translator. A black noble, that initially became fond of the priest and apart from offering him a house to stay, he would also go on to offer him his own younger wife, Muxima. At first the priest was deeply offended and refused such an offer, however later he realised that it was a traditional custom – the men would offer their wife, normally the youngest one, to someone that they had grown fond of.
Among the other friends that Father Francisco had made, Queen Ginga’s nephew, Ingo stood out. A guerrilla diplomat, whom the priest would accompany to Olinda (Recife), in Brazil, with the aim of creating an alliance with Holland who would later conquer Pernambuco from the Portuguese.
During this long journey, Ingo and Francisco become great friends, and even considered each other as brothers. He also became friend with Rafael a Portuguese man, who then becomes a Moorish pirate.
This book, which many deem to be a romance, to me is much more, due to the influx of topics. It serves as an affirmation to Ginga’s power. It has a simple approach and is easy to understand. It incorporates things that many history books report but events that they do not present. This novel takes reader on a journey through many different cultures, such as the Angolan and Gypsy traditions and tells us was what happened and what was relevant at the time.
In my point of view, it is almost compulsory that this book is read by all Angolans, so that we don’t forget that the blood that we carry in our veins today, was previously shed, in order for us to enjoy works such as this. “We love, not those who our eyes see, but those who our hearts demand”
Through the little romance that exists in this novel, the love that was ignited in Father Francisco stands out. He abandons God completely and becomes a free human as he so describes. Francisco lives an intense passion which is reciprocated with the same intensity or even more so by Muxima, but don’t be fooled as she was his friend Domingos Vaz’s wife. This passion was not a betrayal, however, much to the contrary as Domingos Vaz gladly gave Muxima up to his good friend Francisco. Without any highs and lows, as with all love stories, would become very tedious. Francisco and Muxima had to live with their love at a great distance from one another. It was a greater burden for Muxima after judging that Francisco was dead.
In Counterpart, Francisco passes his nights in the heats of Brazil, lazing over the southern gypsy, whom he met in Angolan soil, and would like to spend his nights in her company.
“Despite how long a tree trunk remains in a river, it will never turn into a crocodile”
Mrs Ana de Sousa, her baptismal name, or Queen Ginga, was queen of the Ndondo and the Matamba Kingdoms, in the historic period of the 17th century. Among enemies and allies, Ginga conquered land with no limits. “The greater the king, the smaller the world seems” – king Ginga, is how she demanded that everyone call her, stated the famous quote.
After a very weak introduction of this courageous and conquering woman, I will tell you about what I thought about another masterpiece by the great Angolan writer, Jose Eduardo Agualusa. As the end drew nearer, I was already extensively complimenting this piece. It is narrated by a Pernambucan priest, Father Francisco Jose da Santa Cruz, that had arrived at the African countries, namely Angola, around the year 1620. He became Queen Ginga’s secretary, facing all the challenges that came towards him, including the local languages such as Quimbundo.
Father Francisco instantly made a good impression and good friendships in the Ndongo Kingdom, which was governed initially by Ginga’s brother, King Ngola Mbandi and formerly by King/queen Ginga Mbandi. Domigos Vaz or Tandala, his job tittle, was the Queen’s translator. A black noble, that initially became fond of the priest and apart from offering him a house to stay, he would also go on to offer him his own younger wife, Muxima. At first the priest was deeply offended and refused such an offer, however later he realised that it was a traditional custom – the men would offer their wife, normally the youngest one, to someone that they had grown fond of.
Among the other friends that Father Francisco had made, Queen Ginga’s nephew, Ingo stood out. A guerrilla diplomat, whom the priest would accompany to Olinda (Recife), in Brazil, with the aim of creating an alliance with Holland who would later conquer Pernambuco from the Portuguese.
During this long journey, Ingo and Francisco become great friends, and even considered each other as brothers. He also became friend with Rafael a Portuguese man, who then becomes a Moorish pirate.
This book, which many deem to be a romance, to me is much more, due to the influx of topics. It serves as an affirmation to Ginga’s power. It has a simple approach and is easy to understand. It incorporates things that many history books report but events that they do not present. This novel takes reader on a journey through many different cultures, such as the Angolan and Gypsy traditions and tells us was what happened and what was relevant at the time.
In my point of view, it is almost compulsory that this book is read by all Angolans, so that we don’t forget that the blood that we carry in our veins today, was previously shed, in order for us to enjoy works such as this. “We love, not those who our eyes see, but those who our hearts demand”
Through the little romance that exists in this novel, the love that was ignited in Father Francisco stands out. He abandons God completely and becomes a free human as he so describes. Francisco lives an intense passion which is reciprocated with the same intensity or even more so by Muxima, but don’t be fooled as she was his friend Domingos Vaz’s wife. This passion was not a betrayal, however, much to the contrary as Domingos Vaz gladly gave Muxima up to his good friend Francisco. Without any highs and lows, as with all love stories, would become very tedious. Francisco and Muxima had to live with their love at a great distance from one another. It was a greater burden for Muxima after judging that Francisco was dead.
In Counterpart, Francisco passes his nights in the heats of Brazil, lazing over the southern gypsy, whom he met in Angolan soil, and would like to spend his nights in her company.
“Despite how long a tree trunk remains in a river, it will never turn into a crocodile”
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