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«Eu Tenho o Poder»: Episódio 23 - «Bin»



Antes de voltar para casa, aproveitei para fazer uma visita ao Bin Tal Turk e resolver o que o Koka pediu. Fui conduzido até ao 54.º andar onde a secretária pediu para eu aguardar na sala de espera até o Bin terminar a reunião em que estava. O Bin Tal Turk é um nativo de Al Jabar, com descendência saudita por parte do pai. O Bin nasceu numa família pobre, mas com a sua visão de negócios. Aos 24 anos de idade, fundou a North Movel, que hoje é a maior empresa de telecomunicações de África, atuando por toda a África como operadora de telemóvel. A North Movel fatura anualmente cerca de 6,5 bilhões de dólares que ajudou Bin a juntar uma fortuna de 14 bilhões, sendo o quarto homem mais rico do país. Após vinte minutos de espera, a secretária levou-me à sala do Bin, onde fui recebido de uma forma bem acolhedora.
Bin - Desculpe ter demorado tanto a recebê-lo. Estava numa vídeo-conferência com uns chineses teimosos que não me queriam deixar em paz.
Oliver - Não se preocupe. Eu é que vim sem avisar.
Bin - É uma honra recebê-lo cá e penso que não veio pedir patrocínio para a campanha eleitoral.
Oliver - Claro que não. Não sei ao certo, mas penso que deve ser um militar do FNI (Frente Nacional Islâmica).
Bin - Não, nada disso. Eu falei de dinheiro porque já tinha doado 2 milhões para a campanha. Na altura, o candidato ainda era o meu falecido amigo Jacó.
Oliver - Vai desculpar-me. Não sabia que era amigo do meu pai.
Bin - Éramos camaradas. Sinto falta dele. Todos os meses, jogávamos póquer, no meio do oceano, a bordo do famoso Lord I.
Oliver - Eu sinto a falta dele todos os dias, mas a vida segue em frente, não é?
Bin - Tem toda razão. Vou contar-lhe um segredo: eu sou muçulmano. Todos os dias, eu vou para a Mesquita rezar, mas eu voto pela democracia e, no próximo mês, eu vou votar em si, porque acredito em si e precisamos ser amigos.
Oliver - Obrigado pela honestidade. É bom saber que podemos ser aliados.
Bin - Muito obrigado por ter vindo. Há muito que queria ter essa conversa consigo. Mas agora, vai contar-me o que veio aqui fazer?
Oliver - Eu e a Lisa vamos viajar durante alguns dias e o irmão mais novo dela, o Koka, vem também. Ele pediu-me para vir cá conseguir a sua permissão para deixar a Melissa juntar-se a nós.
Bin - Isso parece um déjà vu. Eu tenho cinco filhos, três são mulheres. Em todas as viagens de família, os meus meninos vêm e pedem para eu ir conseguir autorização aos pais das meninas que eles querem levar. Sempre pensei que era o único a fazer isso.
Oliver - A vida é mais simples quando temos apenas meninos.
Bin - Acredite que é. Eu vi esse rapaz, o Koka, na minha casa algumas vezes. Parece ser bom rapaz.
Oliver - É, sim.
Bin - Se vai pagar toda a viagem, não vou dizer que não.
Oliver - Não se preocupe. A Melissa terá tudo do bom e do melhor.
Bin - Eu sei. Mas quero eles em quartos separados e uma forte vigilância.
Oliver - Eu trato disso.
Bin - Obrigado, Oliver!
Oliver - Eu é que agradeço. Não vou roubar mais o seu tempo, que sei que é muito ocupado.
Bin - Vá com Deus e cuide bem da minha menina nessa viagem.
Oliver - Cuidarei.
No dia seguinte, conheci o substituto do Emmanuel, o agente Mike. 42 anos, com 1,98m de altura, antigo lutador do UFC e bastante simpático como o Emmanuel. Gostei dele! No dia 15 à noite, descolámos com destino a Honolulu. Logo nas primeiras horas de voo, a Lisa surpreendeu-me com uma notícia.
Lisa - Tens alguma coisa para me contar?
Oliver - Penso que não. Porquê?
Lisa - Eu não quero discutir. Eu nem vou sequer perguntar nada. Apenas olha o que saiu!

 

Oliver - Isso não é verdade!
Lisa - Eu quero acreditar em ti, mas...
Oliver - Deixa-me explicar-te o que aconteceu. A Moran ligou para mim e pediu que fosse ter com ela e eu fui.
Lisa - Vocês são amigos?! Porque que ela foi ver-te enquanto estavas em coma.
Oliver - Não chamaria amizade. Mas temos uma boa relação e ela pediu-me para ir ter com ela, porque vai divorciar-se do marido no fim das eleições e precisa de um emprego.
Lisa - E tu vais dar-lhe um emprego?
Oliver - Talvez. Ela é boa no que faz. Mas ainda não vencemos. Por isso, nem estou a pensar no assunto, por enquanto.
Lisa - Está bem!
Oliver - A sério que só vais dizer isso?
Lisa - Provavelmente depois das férias eu toco nesse assunto mas, por enquanto, vais ficar apenas com um “está bem”.
Oliver - Está bem, minha miúda gostosa.
Lisa - Não sejas malandro.
Oliver - Bom, vou conversar com a Melissa.
Lisa - Sobre o quê?
Oliver - Sobre amor.
Lisa - Boa sorte!
Oliver - Obrigado, senhora primeira-dama.
Caminhei até à Melissa e pedi que ela viesse sentar-se ao pé de mim.
Oliver - Olá. Ainda não tivemos oportunidade de conversar.
Melissa - Sim.
Oliver - Se não te importares, tenho uma pergunta para te fazer.
Melissa - Não me importo.
Oliver - Gostas do Koka?
Melissa - Sim, gosto!
Oliver - É estranho porque há sensivelmente um mês e meio atrás, ele disse-me que tu não olhavas para ele sequer.
Melissa - Sim, é verdade, mas eu comecei a olhar para ele. Assim que esbarrámos no shopping, ele parecia fixe e começámos a falar.
Oliver - Não fiques ofendida com a minha curiosidade. Mas será que só olhaste para ele porque a irmã dele pode ser a próxima primeira-dama do país?
Melissa - Conheço muitos miúdos ricos, mas escolhi o Koka porque ele sabe como fazer uma miúda feliz, sabe conversar e ser amigo.
Oliver - Se tu gostas mesmo dele, eu gosto de ti.
Melissa - Obrigado!
Oliver - De nada. Agora podes voltar para o teu lugar.

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