
Acordei
no dia seguinte completamente ressacado. A minha cabeça quase explodia de tanta
dor. Assim que consegui finalmente abrir ligeiramente os olhos, vi a Lauren com
uma chávena na mão.
Lauren
- Estás bem?
Oliver
- A minha cabeça vai explodir! Que horas são?
Lauren
- São quase 13 horas! Toma esse café. Vai fazer-te bem.
Oliver
- Odeio essa nossa vida nova!
Lauren
- Muita coisa a acontecer em tão pouco tempo. Precisamos de ser fortes.
Oliver
- A Lisa já se foi embora?
Lauren
- Tivemos uma reunião com a família dela e decidimos não mandá-la embora!
Oliver
- O quê? Já tomei a minha decisão! Ela tem que se ir embora!
Lauren
- Tens todo o direito de ficar assim, Oliver, mas primeiro ouve o que a mãe
dela tem para te contar. Faz isso por mim e pelo que tu sentes por ela.
Oliver
- Eu falo com a mãe dela.
Lauren
- Ela está à tua espera no palácio. Nem dormiu, coitada da senhora.
Oliver
- Vamos então para o palácio. Preciso de tomar um banho antes de falar com ela.
Lauren
- Está bem!
Fomos
para o palácio e assim que chegámos fui para o meu antigo quarto tomar um banho
e aparecer apresentável. Amaliah estava à minha espera no escritório e foi lá
onde fui ter com ela.
Oliver
- Boa tarde, Amaliah! Desculpe tê-la feito esperar esse tempo todo.
Amaliah
- Boa tarde! Eu é que tenho que me desculpar pela situação que estamos a
fazê-lo passar. Gostaria muito que me ouvisse antes de tomar uma decisão.
Oliver
- Estou aqui para ouvi-la.
Ameliah
- No fim de 2004, quando a Lisa se formou, começou a dar aulas numa pequena
aldeia junto à fronteira com o Egito. Houve uma noite em que ela não teve como
regressar a casa e então ficou a passar a noite na aldeia. Nessa noite, os rebeldes
vindos do Egito invadiram a aldeia, mataram os homens, capturaram as crianças e
adolescentes para serem soldados e violaram as mulheres. A Lisa foi uma das
violadas e, consequentemente, viemos a descobrir que ficou grávida. O meu
marido pediu transferência para Union, na altura, uma cidade recém-criada com
imensas oportunidades. Abandonámos tudo que havíamos construído em Al Jabar e
viemos para Union. Em maio de 2005, nasceu um menino lindo, parecido com o avô.
O plano era dá-lo para a adoção, mas a Lisa recusou assim que sentiu o menino
no seu colo.
Oliver
- Porque é que ninguém soube disso até agora?
Amaliah
- Eu fiz o parto do menino em casa e nunca chegámos a registá-lo, porque existe
uma lei em que a criança sem pai não pode ser registada.
Oliver
- Peço imensa desculpa! Eu não fazia ideia disso. Não consigo imaginar o que a
Lisa passou e o que vocês todos passaram.
Amaliah
- Não peça desculpa, meu querido. Nós é que errámos, devíamos ter contado a
verdade, mas a Lisa teve vergonha.
Oliver
- Lamento muito tudo o que aconteceu. Qual é o nome do menino?
Amaliah
- Davi.
Oliver
- Davi, o amado, o predileto, o querido.
Amaliah
- Sim, foi por isso que demos esse nome.
Oliver
- Como ele viveu durante esses dez anos sem ser registado?
Amaliah
- É a lei do país. O único sítio que conseguimos pô-lo a estudar foi na aldeia
árabe onde o seu segurança nos viu. Ninguém lá se importa.
Oliver
- Sinto muito, Amaliah!
Amaliah
- Dê uma segunda oportunidade à minha filha. Ela é uma boa pessoa, só quis proteger
o filho.
Oliver
- Não se preocupe! Vou falar com a Lisa e resolver essa situação. Agora vá
descansar que eu ouvi dizer que ainda não dormiu.
Amaliah
- Muito obrigada, meu querido genro!
Oliver
- Vá com Deus, minha sogra!
A
mãe da Lisa saiu da sala e não demorou muito para a Lauren entrar a encarar-me
com cara de satisfeita.
Oliver
- Eu sou tão idiota!
Lauren
- Não digas isso! Qualquer um reagiria da mesma forma ou até pior.
Oliver
- Ela já sofreu tanto nessa vida mas nunca deixou de sorrir. Ela é incrível.
Lauren
- Não digas isso só a mim. Vai dizer a ela. Está na praia.
Oliver
- Vou lá, então.
Assim
que comecei a aproximar-me da praia avistei a Lisa, virada para o mar, toda
vestida de branco. Aproximei-me lentamente, quando ela sentiu a minha presença
virou e baixou a cara com vergonha e começou a chorar. Puxei-a para os meus
braços e limpei-lhe as lágrimas que escorriam no rosto.
Oliver
- Não chores. Não precisas de ter vergonha.
Lisa
- Desculpa. Eu quis contar-te tudo. Só não tive coragem e fui adiando.
Oliver
- Tudo bem. Já passou. Precisamos de pensar no futuro agora. A tua mãe contou-me
tudo. Eu quero conhecer o Davi. Pareceu-me, pela foto, ser bonito como a mãe.
Lisa
- Obrigada! Gosto tanto de ti, Oliver!
Oliver
- Estou completamente apaixonado por ti e acho que tenho uma solução para esse
problema.
Lisa
- O quê?
Oliver
- Achas que fica bem, Davi Jacó Thomas?
Lisa
- Não podes fazer isso. Esse problema é meu.
Oliver
- Tu és a minha mulher e tudo que é teu é meu, Vamos simular uma adoção e o
problema fica resolvido.
Lisa
- E como é que estás a pensar fazer isso?
Oliver
- Vou falar com o Riley. Ele arranja uma maneira. Na sexta-feira, o Davi vem ao
evento connosco e vamos anunciar que estamos a finalizar o processo de adoção.
Lisa
- Tens a certeza disso?
Oliver
- Nunca tive tanta certeza em toda minha vida.
Lisa
- Eu amo-te!
Oliver
- Eu também te amo!
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