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«Eu Tenho o Poder»: Episódio 14 - «A verdade da mentira»

Acordei no dia seguinte completamente ressacado. A minha cabeça quase explodia de tanta dor. Assim que consegui finalmente abrir ligeiramente os olhos, vi a Lauren com uma chávena na mão.
Lauren - Estás bem?
Oliver - A minha cabeça vai explodir! Que horas são?
Lauren - São quase 13 horas! Toma esse café. Vai fazer-te bem.
Oliver - Odeio essa nossa vida nova!
Lauren - Muita coisa a acontecer em tão pouco tempo. Precisamos de ser fortes.
Oliver - A Lisa já se foi embora?
Lauren - Tivemos uma reunião com a família dela e decidimos não mandá-la embora!
Oliver - O quê? Já tomei a minha decisão! Ela tem que se ir embora!
Lauren - Tens todo o direito de ficar assim, Oliver, mas primeiro ouve o que a mãe dela tem para te contar. Faz isso por mim e pelo que tu sentes por ela.
Oliver - Eu falo com a mãe dela.
Lauren - Ela está à tua espera no palácio. Nem dormiu, coitada da senhora.
Oliver - Vamos então para o palácio. Preciso de tomar um banho antes de falar com ela.
Lauren - Está bem!
Fomos para o palácio e assim que chegámos fui para o meu antigo quarto tomar um banho e aparecer apresentável. Amaliah estava à minha espera no escritório e foi lá onde fui ter com ela.
Oliver - Boa tarde, Amaliah! Desculpe tê-la feito esperar esse tempo todo.
Amaliah - Boa tarde! Eu é que tenho que me desculpar pela situação que estamos a fazê-lo passar. Gostaria muito que me ouvisse antes de tomar uma decisão.
Oliver - Estou aqui para ouvi-la.
Ameliah - No fim de 2004, quando a Lisa se formou, começou a dar aulas numa pequena aldeia junto à fronteira com o Egito. Houve uma noite em que ela não teve como regressar a casa e então ficou a passar a noite na aldeia. Nessa noite, os rebeldes vindos do Egito invadiram a aldeia, mataram os homens, capturaram as crianças e adolescentes para serem soldados e violaram as mulheres. A Lisa foi uma das violadas e, consequentemente, viemos a descobrir que ficou grávida. O meu marido pediu transferência para Union, na altura, uma cidade recém-criada com imensas oportunidades. Abandonámos tudo que havíamos construído em Al Jabar e viemos para Union. Em maio de 2005, nasceu um menino lindo, parecido com o avô. O plano era dá-lo para a adoção, mas a Lisa recusou assim que sentiu o menino no seu colo.
Oliver - Porque é que ninguém soube disso até agora?
Amaliah - Eu fiz o parto do menino em casa e nunca chegámos a registá-lo, porque existe uma lei em que a criança sem pai não pode ser registada.
Oliver - Peço imensa desculpa! Eu não fazia ideia disso. Não consigo imaginar o que a Lisa passou e o que vocês todos passaram.
Amaliah - Não peça desculpa, meu querido. Nós é que errámos, devíamos ter contado a verdade, mas a Lisa teve vergonha.
Oliver - Lamento muito tudo o que aconteceu. Qual é o nome do menino?
Amaliah - Davi.
Oliver - Davi, o amado, o predileto, o querido.
Amaliah - Sim, foi por isso que demos esse nome.
Oliver - Como ele viveu durante esses dez anos sem ser registado?
Amaliah - É a lei do país. O único sítio que conseguimos pô-lo a estudar foi na aldeia árabe onde o seu segurança nos viu. Ninguém lá se importa.
Oliver - Sinto muito, Amaliah!
Amaliah - Dê uma segunda oportunidade à minha filha. Ela é uma boa pessoa, só quis proteger o filho.
Oliver - Não se preocupe! Vou falar com a Lisa e resolver essa situação. Agora vá descansar que eu ouvi dizer que ainda não dormiu.
Amaliah - Muito obrigada, meu querido genro!
Oliver - Vá com Deus, minha sogra!
A mãe da Lisa saiu da sala e não demorou muito para a Lauren entrar a encarar-me com cara de satisfeita.
Oliver - Eu sou tão idiota!
Lauren - Não digas isso! Qualquer um reagiria da mesma forma ou até pior.
Oliver - Ela já sofreu tanto nessa vida mas nunca deixou de sorrir. Ela é incrível.
Lauren - Não digas isso só a mim. Vai dizer a ela. Está na praia.
Oliver - Vou lá, então.
Assim que comecei a aproximar-me da praia avistei a Lisa, virada para o mar, toda vestida de branco. Aproximei-me lentamente, quando ela sentiu a minha presença virou e baixou a cara com vergonha e começou a chorar. Puxei-a para os meus braços e limpei-lhe as lágrimas que escorriam no rosto.
Oliver - Não chores. Não precisas de ter vergonha.
Lisa - Desculpa. Eu quis contar-te tudo. Só não tive coragem e fui adiando.
Oliver - Tudo bem. Já passou. Precisamos de pensar no futuro agora. A tua mãe contou-me tudo. Eu quero conhecer o Davi. Pareceu-me, pela foto, ser bonito como a mãe.
Lisa - Obrigada! Gosto tanto de ti, Oliver!
Oliver - Estou completamente apaixonado por ti e acho que tenho uma solução para esse problema.
Lisa - O quê?
Oliver - Achas que fica bem, Davi Jacó Thomas?
Lisa - Não podes fazer isso. Esse problema é meu.
Oliver - Tu és a minha mulher e tudo que é teu é meu, Vamos simular uma adoção e o problema fica resolvido.
Lisa - E como é que estás a pensar fazer isso?
Oliver - Vou falar com o Riley. Ele arranja uma maneira. Na sexta-feira, o Davi vem ao evento connosco e vamos anunciar que estamos a finalizar o processo de adoção.
Lisa - Tens a certeza disso?
Oliver - Nunca tive tanta certeza em toda minha vida.
Lisa - Eu amo-te!
Oliver - Eu também te amo!

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