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«Eu Tenho o Poder»: Episódio 21 - «A segunda vida»

Os dias foram passando. A primeira semana sem o Oliver foi horrível. Chegou uma altura em que o povo já não acreditava que o Oliver estava em condições para continuar como candidato. Graças ao Amilcar, conseguimos acalmar o povo, mas o Jamal exigiu que o Oliver desse uma declaração ao vivo na televisão. Fomos adiando a declaração até ao fim da segunda semana, quando a meio da madrugada, recebi uma chamada do hospital a informar que o Oliver finalmente saiu do coma e parece estar em ótimas condições de saúde para quem esteve em coma. As primeiras palavras proferidas da boca dele foi que queria ir a Al Jabar o mais rápido possível para discursar. Tentámos convencê-lo do contrário, mas sem sucesso. O Oliver estava muito bem-disposto desde que saiu do hospital, mas quando ganhámos coragem, contámos que o Emmanuel havia morrido. Ficou completamente deprimido e triste, culpando-se a si próprio.
No dia 5 de agosto, chegámos a Al Jabar para o penúltimo discurso de campanha. Havia mais pessoas do que esperávamos na Glory Park. São 15 horas e estavam 35 graus, mas o povo quer ouvir o Oliver pela primeira vez em Al Jabar e, pela primeira, vez depois do que aconteceu em Lampula que tal como Al Jabar são cidades extremamente islâmicas e radicais.
Eu, o Oliver, o Amilcar e a Lucy caminhámos para o palco de mãos dadas em sinal de união. O primeiro a discursar foi o Amilcar que realçou a importância de fazemos história. De seguida foi a minha vez de discursar e apresentar o Oliver ao meu povo.
Lisa - Masa' alkhayr shaebi (Boa tarde,  meu povo)! Muito obrigado por estarem presentes aqui hoje. Sei que as condições climáticas não são as melhores, mas estamos aqui com um propósito, de trazer paz e prosperidade a essa nação que há muitos anos tem sido aniquilada. Hoje tenho o privilégio e a honra de vir cá pela primeira vez acompanhada do meu marido e poder agradecer o apoio que todos vocês têm dado à nossa caminhada à Presidência. Temos passado tempos difíceis, sim, mas vamos superar esses tempos e vencer a eleição na primeira ronda no dia 15 do próximo mês. É com muito agrado que chamo a este pódio, o homem que tem lutado com honra e paixão para libertar esta nação. O meu marido e o futuro Presidente da África do Norte, Oliver Thomas.
O povo entrou em delírio, com choros e a gritar como nunca o nome do Oliver, coroando-o com o título de Presidente.
Oliver - Obrigado... Obrigado. Para começar queria pedir um minuto de silêncio em memória do Agente Emmanuel Ross, a única vítima moral do trágico e covarde ataque que sofremos em Lampula. Estou aqui hoje com vocês, graças a Deus, que deu-me uma segunda chance entre os vivos. Eu não tenho medo, eu não tenho medo! Se alguém quiser apertar o gatilho, força, esteja à vontade. Eu estou aqui de braços abertos. Matem-me! Apertem o gatilho! Eu não tenho medo, estou pronto a morrer por essa nação. Como Nelson Mandela dizia: «Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos». Não temos um trabalho difícil para vivermos em União. Apenas precisamos de subir os primeiros degraus, o resto é fácil. Depois do bárbaro e miserável ataque de Lampula e de ter estado entre a vida e a morte, eu percebi finalmente que estou pronto para ser o vosso líder, para ser o vosso Presidente, para vencer a eleição do próximo mês. Vou vos contar um segredo. Eu adoro o Martin Luther King. Cresci a ouvir histórias sobre ele e tal como o senhor King eu também tenho um sonho, de ver esta nação finalmente em paz e unida. Pouco me importa se aqui o povo é islâmico e em Union são católicos. Todo o cidadão é livre para escolher a sua religião. Pouco me importa se eu sou negro e vocês brancos. Eu continuo amar-vos da mesma forma. Pouco me importa se tu és gay e eu não. Somos feitos da mesma massa, da mesma carne e do mesmo criador. Pouco me importa se vocês são da FNI (Frente Nacional Islâmica) e eu sou do PDNA (Partido Democrático Norte-Africano). Todos nós somos família. Somos da mesma nação e não existe laço mais poderoso que pertencer a mesma nação, ter a mesma pátria. Precisamos de parar agora essa luta sem sentido. Esse ódio tem que parar agora. Precisamos de estar unidos e lutar pela nossa nação. Eu não peço que votem em mim no dia 15. Eu peço é que vão às urnas conscientes e que votem no que acharem melhor pela nação. Muito obrigado, Al Jabar, por me receberem tão bem. Eu prometo voltar em breve. Muito obrigado e que Deus esteja connosco.
O meu marido arrasou completamente naquele pódio. Fiquei orgulhosa de vê-lo voltar à luta. Voltámos para Union no mesmo dia. No dia seguinte, recebemos a notícia de que a Quaniama consegui achar o esconderijo dos radicais que fizeram o ataque em Lampula e bombardearam, matando cerca de 15 pessoas que se encontravam dentro do esconderijo no norte de Al Jabar, a cinco quilómetros do Egito. Seguimos com a campanha fazendo apresentações em alguns programas televisivos e nas rádios locais. No dia 11 de agosto, o Oliver convocou uma reunião com todos que trabalham na campanha.
Oliver - Não se assustem por ter chamado todos aqui. Vou tentar ser rápido. Apenas quero agradecer os esforços que todos fizeram para vencermos. Ainda não vencemos mas acredito que venceremos. Por esta razão acho que todos merecemos umas férias até dia 1 de setembro. Estão todos oficialmente de férias! Não quero ver ninguém a trabalhar. Boas férias!
Mais tarde, quando estávamos apenas os dois no quarto, o Oliver contou-me os seus planos.
Oliver - O que achas de fazermos uma viagem?
Lisa - Agora, nessa altura? Tens a certeza?
Oliver - Nós ainda não viajámos em lua-de-mel. O que achas de irmos com o Davi e o Koka?
Lisa - É uma boa ideia!
Oliver - Então faz as malas que a nossa viagem é no dia 15.
Lisa - O quê? Como assim? Para onde é que vamos?
Oliver - Lembras-te quando me disseste que o teu destino de férias de sonho era o Havai.
Lisa - Que fofo! Ainda te lembras disso? Obrigado, amor!
Oliver - Vai ser bom recarregar as baterias.
Lisa - Sim, tens razão. Vou ligar para o Koka.
Oliver - Está bem. Liga.

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