
Por volta das 17 horas, fomos escoltados com máxima segurança até ao
local do discurso, o Parque das Antas, o principal parque bem no coração da
cidade. Chamei discretamente o Emmanuel à parte.
Emmanuel - O que aconteceu, senhor?
Oliver - Você sabe que a segurança aqui é crítica.
Emmanuel - Não se preocupe, senhor. Temos tudo controlado e, além
disso, estarei no palco com vocês.
Oliver - Prometa-me uma coisa. Se acontecer algo, proteja a Lisa e o
Davi em vez de mim.
Emmanuel - Senhor, o meu dever é protegê-lo sempre.
Oliver - Estou a ordenar que essa noite proteja a minha mulher e o meu
filho. Espero que possa cumprir.
Emmanuel - Sim, senhor! Assim será feito.
Oliver - Muito obrigado! É um prazer trabalhar consigo.
Emmanuel - O prazer é meu, senhor.
O governador da cidade, Jacob Milles, chamou-me ao palco, agarrei na
mão da Lisa que agarrou a do Davi e caminhamos até ao centro do palco, acenando
para o povo que gritava “Thomas a Presidente”.
Oliver - Obrigado, muito obrigado! Estou muito feliz por estar aqui
hoje, nesta noite maravilhosa. Hoje trouxe comigo a minha mulher e o meu filho.
Surgiu uma onda de aplausos infinitos e gritos de alegria.
Oliver - Hoje é um dia importante. Hoje tenho a honra e o prazer de
apresentar para vocês como meu vice-presidente um líder, um democrata de raiz,
um amigo, um irmão, a quem peço um enorme aplauso. Amilcar Roche e a sua esposa
Lucy.
O público entrou em delírio. O Amilcar e a Lucy caminhavam para o
palco e ouvia-se os gritos daqueles que chamavam pelo Amilcar e num surto
inesperado, deu-se uma explosão na plateia e começou um tiroteio. O Emmanuel
agarrou a Lisa e o Davi, outro agente corria na minha direção para me proteger.
Chegou tarde demais e levei dois tiros na barriga. Assim que senti o meu corpo
no chão, já quase inconsciente e com os olhos meios abertos, olhei para a Lisa
e o Davi no chão, com o Emmanuel em cima deles a sangrar. Os meus olhos
fecharam-se contra a minha vontade e perdi total controlo de mim...
(...)
*
O público entrou em euforia assim que o Oliver chamou o Amilcar e a
Lucy ao palco. Assim que eles iam se aproximando, ouvimos uma explosão no meio do público. O Emmanuel falou rapidamente
para a escuta chamando agentes ao palco e numa questão de segundos, vi o Oliver
levar dois tiros na barriga. Sem reação nenhuma, fiquei paralisada e quando
percebi o que estava a acontecer, o Emmanuel estendia as mãos e levou uma série
de tiros nas costas, enquanto tentava proteger a mim e ao meu filho. Caímos os
três. O Emmanuel ficou por cima de nós a sangrar. O Oliver tentava abrir os
olhos, já estendido no chão, mas não conseguiu. O Riley correu atrás do agente
que foi socorrer o Oliver e ambos puxaram-no para fora do palco. Comecei a
chorar desalmadamente até que os estoiros dos tiros acabaram e dois agentes
vieram tirar-me do palco juntamente com o Davi e fomos levados para um Cadilac
que nos tirou do parque. Quando a adrenalina foi diminuindo, percebi finalmente
o que tinha acontecido e entrei em estado de pânico, a chorar e a gritar com os
agentes que nos levavam.
Lisa - Eu quero o meu marido! Onde está o meu marido?
Agente - Senhora, preciso de levá-la para um local seguro. O seu
marido está a ser transportado para o hospital!
Lisa - Eu quero o meu marido! Vamos ter com ele, agora! Agora!
Agente - Por favor, senhora! Acalme-se!
Lisa - Não me mandes ficar calma. Já disse que quero o meu marido,
agora.
Agente - Está bem, senhor. Vamos levá-la ao hospital.
Fomos levados para o Nile Surgical Hospital, onde o Oliver tinha sido
levado. Quando chegámos, havia um motim de fotógrafos na porta do hospital.
Vários agentes e a polícia cercaram todo o hospital. Os flashes das câmaras à
entrada do hospital quase que impedia a minha visão. Graças ao agente que me
acompanhava consegui passar pela porta sem cair. Assim que saí do elevador no
décimo andar, totalmente fechado com mais de vinte agentes, avistei a Lauren
que correu para me dar um forte abraço e ambas começámos a chorar.
Lisa - Eu quero vê-lo!
Lauren - Ele entrou no bloco operatório, agora!
Lisa - Não quero perdê-lo!
Lauren - Não vamos perdê-lo. Ele é forte. Ele vai sobreviver por nós.
Riley - Lisa, como estás?
Lisa - Eu não sei como estou. Eu só quero estar com ele.
Riley - Não há nada que possamos fazer agora. Os médicos mandaram
esperar. Acho que devias ir para o hotel com o Davi e descansar.
Lisa - Eu não vou sair daqui.
Riley - Permite-me então mandar o Davi para Union. Lá ele estará
seguro.
Lisa - Sim, é melhor.
Riley - Vou chamar uma equipa de cinco agentes para levarem ele até ao hospital. O resto da nossa equipa também vão voltar para Union.
Lisa - Ok, vou despedir-me dele.
Dei um abraço forte ao meu filho e prometi-lhe que iria tudo correr
bem. O Amilcar e a Lucy saíram do elevador e vieram em minha direção.
Amilcar - Estás bem, Lisa?
Lisa - Estou bem! Obrigada, Amilcar!
Lucy - Sentimos muito o que aconteceu. Vamos orar para que fique tudo
bem.
Lisa - Muito obrigada, querida!
Amilcar - Passamos aqui apenas para dar-te um abraço. Vamos ter que
voltar para Memorial. É o procedimento de segurança.
Lisa - Vão com Deus e fiquem descansados.
Amilcar - Liga-me se precisares de alguma coisa!
Lucy - E mantenha-nos informados, por favor.
Lisa - Não se preocupem e cuidem-se. Obrigada por terem vindo.
Dei um abraço à Cate que estava sentada com lágrimas nos olhos. Apesar
de tudo que aconteceu entre nós, agora estamos na mesma equipa. A Layla saiu do
elevador quase a correr e quando me abraçou comecei a chorar ainda mais.
Layla - Vai tudo correr bem, minha querida! Não chores!
Lisa - Eu não quero perdê-lo, Layla! Eu amo-o!
Layla - Eu sei, querida, eu sei. Precisamos de ser fortes. Isso não
vai ser fácil, mas tu tens que ser forte e assumir o lugar dele. Tu precisas de
falar com os jornalistas que estão lá fora. O país precisa de saber o que
aconteceu.
Lisa - Nesse momento não consigo.
Riley - Desculpa interromper, Layla! Achamos que será melhor
esperarmos até ao fim da cirurgia para emitir um comunicado.
Layla - Sim, tudo bem. Eu vou pedir à Natália para trazer roupa limpa
e produtos de higiene para a Lisa se trocar.
Lauren - Consegui um quarto para descansares, Lisa!
Lisa - Eu não quero descansar.
Layla - Tu precisas de descansar. Eu fico contigo até adormeceres.
Lisa - Está bem, mas chamem-me logo assim que a cirurgia terminar.
Riley - Fique descansada.
Lisa - Lembrei-me agora. Como está o Emmanuel?
Riley - Sinto muito, Lisa! Mas o Emmanuel não resistiu aos cinco tiros
que levou e faleceu antes mesmo de chegar ao aeroporto.
Lisa - Não acredito nisso! Por favor, diz-me que isso é mentira!
Riley - Estamos todos tristes com isso, mas é verdade.
Lisa - Ele morreu para me salvar. Eu quero falar com a mulher dele.
Riley - Vamos ligar pela manhã, é melhor.
Lisa - Está bem, é melhor.
Layla - Agora precisas de descansar.
Deitei-me na cama e com as carícias da Layla na cabeça, adormeci.
*A
Lisa passa a ser narradora desta história.
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