
Assim que chegámos ao iate, fomos surpreendidos
pela preseça do Riley e da Lauren que pareciam bem agitados.
Oliver - Aconteceu alguma coisa ou é apenas
saudades?
Riley - Não voltes a fazer isso, Oliver, por
favor! Não tens noção do sufoco que estávamos a passar. Já estávamos para
chamar o batalhão Apolo da Marinha para irem à vossa procura. Não nos faças
isso outra vez.
Oliver - O que aconteceu? Não estou a perceber
nada!
Riley - Eu já te tinha dito que temos que ter
muito cuidado. O país não está seguro para estares a andar sozinho ainda mais
em Al Jabar, sede de muitas organizações radicais que querem acabar connosco.
Oliver - Vamos lá ter calma! Aqui quem é o chefe?
Aqui quem é o candidato? Tu ou eu? Vê lá como é que falas comigo. Não és meu pai,
muito menos meu superior.
Lauren - Oliver, nós só estamos preocupados com a
tua segurança.
Oliver - Eu não quero saber. Eu quero poder viver
a minha vida e fazer o que me apetecer pelo menos uma vez. Eu não sou prisioneiro.
Ninguém sabe que eu sou o candidato. Deixem-me ter algum sossego!
Riley - Eu sempre disse que tu não tens
competências para isso. Sempre avisei que não estavas preparado.
Oliver - Se voltares a abrir a boca para dizer
algo do género considera-te demitido e se achas que não devo ser candidato, se
calhar devias candidar-te e aí víamos quem vencia. Não é porque és um Thomas
que as pessoas vão votar em ti.
Riley - Tu és tão imbecil. Se calhar até devia
candidatar-me.
Oliver - Força e veremos se consegues pelo menos
1 voto que provavelmente será do teu pai com pena do filho.
Riley - Continuas o mesmo arrogante de sempre!
Oliver - E tu continuas a mesma besta a tentar
ter mais protagonismo que eu. Sempre foi o teu sonho ser melhor que eu. Admite!
Lauren - Já chega!
Oliver - Se quiseres ir, Riley, podes ir agora
mesmo e leva contigo a pessoa que andou a informar-te que eu não estava a bordo.
Lauren - Anda comigo, Oliver, por favor!
A Lauren agarrou na minha mão e levou-me para uma
das suítes do iate. Acho que nem ela sabia que estava a entrar na suíte.
Lauren - Tu precisas de parar, Oliver! Deixa de
ser criança, acorda para a vida!
Oliver - Qual é o teu problema? Agora ficaste
amiga dele?
Lauren - Ora essa! Estás tão cego assim que não
percebes que só queremos o teu bem. Desde quando é que te tornaste assim tão
arrogante e parvo?
Oliver - Eu não sou arrogante!
Lauren - Eu sei que não és mas estás a comportar-te
como um! O que se passa contigo? Quero o meu melhor amigo de volta. O que
fizeste com ele?
Oliver - Ele está bem aqui à tua frente! Só que
não tem sido fácil gerir esses acontecimentos todos. E eu só estava a tentar
relaxar com a minha mulher.
Lauren - Tens que parar de culpar os acontecimentos.
Tens que assumir a responsablidade dos teus comportamentos. Eu e o Riley
estavamo-nos a divertir até quando vimos uma foto tua com a Lisa no Hotel Hilton
em Al Jabar e vimos a foto no Twitter de um grupo radical e a legenda era
"O próximo Thomas a morrer".
Oliver - Não fazia ideia disso.
Lauren - Agora percebes a nossa preocupação?
Oliver - Sim, percebo!
Lauren - Quero que voltes para a sala e peças
desculpa ao Riley pelas coisas que disseste!
Oliver - Ele também disse-me coisas horríveis.
Lauren - Nós precisamos dele na campanha e se não
fores falar com ele, eu apanho o próximo avião para Londres.
Oliver - Está bem, eu vou falar com ele.
Lauren - Que bom, anda!
Assim que regressámos à sala, o Riley tinha ido
embora e a Cate tinha acabado de chegar.
Cate - O que aconteceu? Recebi uma mensagem para
vir cá.
Lauren - Já te conto tudo. Sabes onde é a casa do
Riley?
Cate - Algures em Atlantis Hills. O Emmanuel deve
saber.
Emmanuel - Sei sim, senhora.
Lauren - Leva o Oliver lá, por favor.
Emmanuel - Sim, senhora.
Cate - Daqui a duas horas precisamos de estar no
aeroporto. Não se esqueçam.
Oliver - Até já.
Procurei a Lisa que estava numa das suítes e
despedi-me dela. Fui então com o Emmanuel até à casa do Riley em Atlantis
Hills. Atlantis Hills é um bairro de luxo, que apresenta um equilíbrio harmónico
de mansões elegantes e exclusivas. O bairro mais cobiçado da cidade e que aloja
o maior campo de golfe de África, onde se realiza anualmente o circuito mundial
de golfe. Atlantis Hills é também muitas vezes chamado de Paraíso dos
Golfistas.
Assim que o Emmanuel indicou a casa, fiquei
surpreendido pelo seu tamanho. Uma mansão com cinco andares, com vista para um
magnífico campo de golfe. Por instantes esqueci o que me trouxe até ali, mas rapidamente
me recompus e bati à porta. Não demorou muito até o próprio abrir.
Riley - O que é que tu queres?
Oliver - Precisamos de conversar. Posso entrar?
Riley - Entra.
Oliver - Acho que te devo um pedido de desculpas.
Riley - Faço das tuas palavras minhas. Queres
beber alguma coisa?
Oliver - Pode ser o que estás a beber.
Riley - Não sabia que bebias cerveja.
Oliver - Eu vivi no Reino Unido. É comum beber-se
cerveja.
Riley - Está bem! Quero pedir-te desculpas. Eu realmente
não quis dizer aquilo. Acredito mesmo que possas ser Presidente, porque tu
nasceste para isso.
Oliver - Obrigado! Eu queria pedir-te desculpas.
Tudo o que falei foi por falar. Não leves em consideração.
Riley - Tudo bem.
Oliver - Porque nos afastámos… nunca chegaste a
dizer-me?
Riley - Quando a minha mãe morreu, eu precisava
mesmo de ti e tu nunca chegaste a vir nem uma chamada fizeste. Isso acabou
comigo!
Oliver - Às vezes faço coisas que não sei
explicar. Espero que possas perdoar-me. Eu realmente sinto muito por teres
passado tudo aquilo sozinho.
Riley - Eu tinha esperança que ao trabalharmos
juntos, poderíamos voltar a dar-nos bem.
Oliver - Nós precisamos de nos dar bem para isso
resultar.
Riley - Isso quer dizer que fui readmitido?
Oliver - Nunca pensei realmente em demitir-te. Sem
ti, não consigo vencer.
Riley - Então, vamos lá dominar o mundo, irmão
mais velho!
Oliver - Vamos com tudo, irmão. A propósito,
posso saber quais são as tuas intenções com a Lauren para estares a sair com
ela sem a minha permissão?
Riley - Boas intenções apenas e nós estávamos a
trabalhar.
Oliver - Seu malandro! Vamos que estão à nossa
espera no aeroporto.
Chegámos à zona VIP do Aeroporto de Union, onde
ficam os aviões privados e quando dei de caras com o Boeing 747-400, totalmente
pintado com as cores azul e vermelha, que são as cores oficiais do Partido
Democrático, e com a minha cara e o meu nome, fiquei de imediato apaixonado
pela aeronave. O seu interior tem três quartos de luxo, decorados com ouro
maciço e 100 acentos de primeira classe, uma sala de jantar com 15 acentos, um
escritório e uma sala de reunião. É equipado de um sistema que despista
mísseis.
Cate - Bem-vindo a bordo! Gostas da nossa casa
das nuvens?
Oliver - Isso é maravilhoso!
Cate - Deu um trabalhão pintar a parte de fora
toda em 12 horas, mas cá estamos para iniciar essa jornada.
Oliver - Onde está a minha mãe, a Ruby e o Ethan?
Cate - Já estão em Memorial City. Foram mais cedo.
Oliver - Ok!
Cate - A tua mulher esta na suíte principal. A
Lauren e professor Simbala aguardam por ti na sala de reunião.
Oliver - Vou já para lá.
Até chegar a sala de reunião, passei por uns 20
estranhos que vão trabalhar na campanha. Prometi a mim mesmo que queria
conhecer alguns deles antes do discurso de candidatura. Cheguei à sala de
reunião e a Lauren estava bem animada à conversa com Simbala.
Oliver - Peço desculpa estar a interromper.
Simbala - Nada disso, senhor. Estávamos mesmo à
sua espera para começar.
Lauren - Senta-te que estou muito curiosa.
Oliver - Pronto, já me sento.
Simbala - Bom, a nossa viagem é de
aproximadamente 5 horas, por isso vou ocupar-vos as duas primeiras horas. Pode
ser?
Oliver - Esteja à vontade! O momento é seu!
Simbala - Vou começar por dizer que morro de
amores por essa cidade e sou muito grato por ter nascido nela. Memorial City é
a ex-capital de North África. É a cidade mais populosa com 15 milhões de
habitantes e é o principal centro cultural do país. Também é o principal centro
de transportes primário do país, com rodovias e ferrovias e um transporte aéreo
bem desenvolvido. O aeroporto internacional de Frank Memorial é o mais
movimentado de África desde 2007 com um movimento de passageiros anual de 78
milhões. A cidade é considerada a cidade-mãe do país e conta com um PIB de 48
milhões, o terceiro maior do país atrás de Al Jabar e Union. A grande fonte de
riqueza é o setor do negócio e da mídia e tecnologia da informação. Na
educação, a cidade possui imensas instituições de ensino superior, sendo o
principal o IMT (Instituto Memorial de Tecnologia), a melhor universidade de
pesquisa de tecnologia de África e a 11ª do mundo. Outra universidade também
muito prestigiada é a MCU (Memorial City University). Na política, Memorial City
é governada pelo governador Amilcar Roche, o mais jovem governador eleito que a
cidade já teve e o vencendo com maioria absoluta. Tem como cidades irmãs:
Bruxelas, Olimpia, Rio de Janeiro, Lagos, Newcastle e Taipei. Na economia, a
cidade é um grande centro de empresas, considerada uma cidade global beta,
abriga como sede em África a Coca-Cola Company, Citigroup, Microsoft, Apple,
Chevron, Royal Dutch Shell, China Contruction Bank, Petrobras, Exxon Mobil e Google.
No turismo, atrai o quarto maior número de turistas de todo o país, cerca de
500 mil visitantes estrangeiros por ano. A cidade detém o maior aquário indoor
de África, a Memorial Aquarium que abriu ao público, em 2008. Detém também a
Coca-Cola Center, um parque de diversões, que foi inaugurado em 2010. Conta
também com uma variedade de museus, o de História, o de Arte, o Frank Thomas Museum,
Museu da Guerra Civil, Museu Infantil e também o Memorial Zoo Park. No
desporto, é sede do Memorial Snake, equipa de basquete, que atua na CNB
(Campeonato Nacional de Basquetebol), o Memorial Glorious, equipa de futebol, e
o Memorial Falcons, equipa de rugby. Dou por terminada a lição de hoje. Espero
que tenham gostado!
Lauren - Eu adorei! Foi muito bom a escolha de
Memorial City para a abertura da campanha.
Oliver - Nota-se que as nossas raízes vêm todas
de lá.
Simbala - Foi desenhado por Deus e oferecida ao
nosso povo.
Oliver - Exatamente! Agora vão dar-me licença que
vou descansar um pouco.
Simbala - Bom descanso, senhor.
Sai da sala de reunião e caminhei até à minha
suíte, Verifiquei que todos estavam num sono profundo. Assim que entrei na suíte,
apanhei a Lisa a falar ao telemóvel e quando me viu, despachou a pessoa do
outro lado da linha.
Lisa - Vá agora tenho mesmo que desligar. Ligo
assim que puder. Beijinhos.
Oliver - Namorado?
Lisa - Óbvio que não! Era o Koka.
Oliver - Não precisavas de despachar o rapaz.
Lisa - Agora quero estar com o meu marido. Não
posso?
Oliver - Claro que podes!
Lisa - Anda cá. Deita-te ao meu lado e vamos ver
um filme.
Oliver - O que vamos ver?
Lisa - “Cinderella”, de Kenneth Branagh. Estreou
em junho e ainda não assisti.
Oliver - Então vamos assistir, querida!
Tenho a máxima certeza que não era o Koka ao telefone,
mas fingi acreditar e vimos o filme tranquilamente. Acho que até houve partes
em que cochilei. O avião aterrou uns vinte minutos depois do filme ter
terminado. Assim que desembarcamos com a equipa toda de mais de 20 pessoas,
fomos todos para o Hotel Mandarin Oriental. Eu e a Lisa ficámos na Mandarin
Suíte. A suíte é excecional. Possui onze metros de altura, tetos altos e duas
varandas espaçosas. Tem a aparência de um apartamento elegante, com sofás de
veludo cinzento, mesas de madeira escura e obras de artes de galerias locais.
Além da sala-de-estar, tem uma adega, sala de jantar com capacidade para oito
pessoas e um quarto de hóspedes. O quarto principal tem um closet enorme e a
casa-de-banho principal uma banheira em forma de ovo, chuveiro e acesso a uma
das varandas privadas.
Oliver - Queres jantar?
Lisa - Não estou com muita fome. Pedimos apenas
uns petiscos e aproveitamos para provar algum vinho dessa linda adega.
Oliver - Pode ser. Entendes alguma coisa de
vinho?
Lisa - O meu tio trabalha numa vinícola em
Florença e ensinou-me alguma coisa.
Oliver - Então, escolhes tu o vinho.
Lisa - Deixa cá ver o que temos. Meu Deus, temos
que provar este Henri Jayer Richebourg Grand Cru. É considerado o vinho mais
caro do mundo e é produzido em França e custa cerca de 15 mil dólares. Sempre
quis provar.
Oliver - Vamos lá ver se é bom, Deixa-me abrir.
Assim que provei, confesso que não achei nada
demais, mas dizem que é preciso ser um bom apreciador de vinho, algo que eu não
sou. A Lisa é que parecia estar a adorar.
Lisa - O que achaste?
Oliver - É bom!
Lisa - É fantástico, querido! Tão suave que até
parece que desliza na língua.
Oliver - És boa nisso, senhora Thomas!
Lisa - Talento natural, amor.
Oliver - Já deves estar a ficar bêbada. Acabaste
de chamar-me “amor”.
Lisa - Tu és o meu marido. Temos que nos tratar
assim, principalmente em frente das pessoas.
Oliver - Tens razão. Vou deitar-me, vens?
Lisa - Vou ficar mais um pouco aqui e ver um
pouco de televisão. Daqui a pouco vou ter contigo.
Oliver - Está bem, Até já.
Lisa - Boa noite, amor.
Oliver - Boa noite, querida!
Acordei na manhã seguinte às 8 horas da manhã. A
Lisa dormia que nem um anjo. Nem percebi a que horas veio deitar ontem. Coloquei
o meu fato de treino da Nike com capuz e saí para correr pela cidade. O hotel
fica no centro da cidade. Tentei lembrar-me de alguns locais da cidade. Passei
primeiro pelo Teatro City, onde assistíamos os filmes antigamente. Está
completamente remodelado e ficou muito giro, por acaso. Entrei na Freedom
Avenue, onde se declarou a independência de North Africa e se instaurou a
República, junto à estátua dos antigos combatentes, onde também está o meu avô.
Tinha uma imensa multidão. Corri até la para ver o que era e vi que era o local
do meu discurso. Estava a ser montado o palco e todos os cartazes e imagens
estavam ainda escondidas, o que provocou curiosidade daqueles que por ali
passavam. Reparei que já passavam das 9h30 e que a reunião com a Cate era às
10h. Regressei imediatamente e a uma velocidade louca para o hotel. O Emmanuel
estava na porta da suíte e ficou surpreendido porque não fazia ideia de que eu
estava fora. Assim que entrei no quarto, a Lisa terminava o pequeno-almoço.
Lisa - Vens cansado.
Oliver - Saí para correr e acabei por me
distrair. Estou atrasado para a reunião.
Lisa - Despacha-te, então.
Tomei banho o mais rápido possível e vesti o meu
fato Gucci Burgundy Slim-Fit em tons vermelho e azul. Sem tomar o pequeno-almoço,
bebi apenas um sumo e desci com a Lisa até à sala operacional da campanha, no
primeiro andar do hotel.
Oliver - Bom dia, desculpem o atraso.
Cate - Não faz mal. Aproveitámos para acertar
umas coisas.
Oliver - Antes de começarmos, podes-me apresentar
os chefes de departamento da campanha.
Cate - Claro! Vamos para aquela sala que eles já
lá vão ter.
Oliver - Obrigado!
Quatro dos cinco dirigentes da campanha entraram
na sala, a Cate começou a apresentação ao chefe de estratégia Joel Podesta, à
diretora de comunicação Jennifer Cheng, ao diretor de finanças Dennis Abedin e
ao chefe de tecnologia Greg Jarvis. Esse último chamou-me à atenção, é bastante
novo, nem na casa dos 30 anos está, mas pelo seu currículo é bastante
promissor. A diretora de política que é a Ruby Thomas, a minha irmã é a única
que não está presente. Começámos então a nossa reunião, que foi basicamente
ouvir a Cate falar do roteiro dessa primeira paragem da campanha. Vamos ficar
mais dois dias além desse. Hoje o evento é o discurso de candidatura, amanhã eu
vou participar na inauguração de um polo universitário da Universidade de
Direito e a Lisa vai visitar uma escola na quarta-feira, antes de voltarmos
para Union.
O ponteiro do relógio batia precisamente 18
horas, quando o Amilcar me chamava ao palco. Agarrei na mão da Lisa, trocámos
um olhar de conforto e entrámos no palco a sorrir e a acenar para mais de 20
mil pessoas presentes. A Lisa deu-me um beijo no rosto e colocou-se ao meu lado
direito junto de Amilcar. Fiz um breve silêncio enquanto aguardava os gritos de
louvores em nome do partido PDNA e assim que ouve um breve silêncio, olhei para
o teleponto e comecei o meu discurso.
Oliver - Deixe-me começar por agradecer a todos
vocês que mesmo depois de um dia laboral enfrentam essa noite quente de hoje.
Todos nós estamos aqui por uma razão. Por mais cruel que pode parecer, eu sei
que não estão aqui só por minha causa. Vocês vieram aqui porque acreditam no
que esse país ainda pode fazer por vocês a começar hoje aqui. Numa altura de
guerra, vocês acreditam que a paz chegará. Em tempo de desespero, vocês
acreditam na esperança. Vocês estão aqui para construirmos juntos uma união
perfeita. Essa jornada que vamos começar hoje, não pode acontecer sem eu
partilhar algo que me aconteceu e como isso me incentivou ainda mais a estar aqui
hoje. Na minha lua-de-mel, a minha mulher levou-me a conhecer a sua cidade
natal, Al Jabar. Com algum receio desfrutei de uma cidade lindíssima e enquanto
aproveitava o que a cidade me oferecia, uma foto minha e de Lisa circulava nas
redes socias, com ameaças à minha vida, isso não me intimidou. Foi nesse
momento que percebi que a união é o verdadeiro motivo que me fez se candidatar.
A união é o que nos trouxe aqui hoje e é o que precisamos nesse momento difícil
que o país atravessa. Foi aqui na Freedom Avenue que os nossos antepassados
uniram-se para criarem essa nação. Foi aqui que aprendemos a discordar sem ser desagradável,
que é possível ser livre sem oprimir ninguém e que podemos ser o que quisermos.
E é aqui na Freedom Avenue onde nos juntamos de Norte a Sul pela nação e
marchamos vitoriosos. Por isso é que junto à estátua dos nossos guerreiros,
onde as esperanças sobrevivem durante gerações, estou diante de vocês para anunciar
a minha candidatura para Presidente da África do Norte. Reconheço que há uma
certa audácia a esse anúncio, porque sei que todos vocês sabem que não tenho
experiência política, mas aprendi o suficiente para saber o caminho que o país
deve seguir. Graças aos nossos antepassados que construíram uma democracia em
que é possível haver mudanças, graças a eles que nos mostraram que é capaz derrubar
uma ditadura. Então seremos capazes de derrotar a tirania que se instalou aqui.
Chegou o tempo da minha geração produzir, por isso aceitamos esse chamamento,
pois acreditamos que diante de probabilidades impossíveis quem ama o seu país
pode mudá-lo. Foi isso que o Frank Thomas nos ensinou, e sim ele teve dúvidas,
ele teve derrotas, mas nunca desistiu, mudou uma nação e ajudou a libertar o
povo. Hoje temos o desafio de enfrentar o que ele passou, todos juntos como um
povo como norte-africanos que somos. Todos nós sabemos quais são os desafios
que enfrentamos atualmente, uma guerra religiosa sem fim, escolas onde crianças
não aprendem, famílias a lutarem com salários medianos. Nós conhecemos e
ouvimos esses desafios vezes sem contar. Mas também sabemos o que nos impede de
derrotar esses desafios e para vencermos, precisamos urgentemente de promover
um aumento da natalidade, acabar com os conflitos religiosos, erguer o país a
potência mundial e o mais importante libertarmos todos os oprimidos,
homossexuais, imigrantes e ateus. Temos que acabar com os cínicos e lobistas
que pensam que governam o nosso país com os seus cheques. O tempo dessa política
chegou ao fim e é hora de virar a página. Temos um longo caminho a percorrer e
não será fácil. É por isso que temos que definir prioridades, temos de fazer
escolhas difíceis e transformar essa nação. Vamos remodelar a economia para
competirmos na era digital, vamos elevar as nossas escolas, novos professores
com melhores vencimentos, vamos fazer faculdades mais acessíveis, vamos
investir na ciência e vamos acabar com as cidades rurais. Vamos ser a geração
que vai enaltecer a nação, estamos dispostos a trabalhar duro para dar uma vida
melhor a todos. Vamos ser a geração que finalmente libertou o país da tirania e
da falta de união. Queremos deixar futuras gerações orgulhosas do que fizermos
aqui. Eu sei que vão existir aqueles que acreditam que não seremos capazes e
que vamos falhar, porque todos sabemos que os políticos mentem mas eu não sou
político, eu sou o povo. Por isso essa campanha não é apenas sobre mim, é sobre
nos, deve ser sobre o que podemos fazer juntos. Essa campanha vai ser a
esperança, a união e a resposta ao pedido de mudança. A minha vida mudou para
isso. Um jovem advogado de Londres, idealista e democrata que acredita num
futuro diferente. Eu acredito no poder do povo! Eu acredito no poder das
palavras! Eu acredito na união do povo! Eu acredito que apesar da religião, da
raça, da opção sexual, somos só um povo! Eu acredito na esperança! Eu acredito
no meu país! O nosso propósito aqui, hoje, é dar tudo por África do Norte. É
por isso que estou nessa jornada, não apenas pelo cargo, mas para unir e
transformar a nação e peço que se juntem a mim nesta busca improvável. Se vocês
sentem o que sinto, vamos unir-nos e juntos, a partir de hoje, vamos fazer o
que precisa ser feito e apadrinhar o nascimento de uma nova liberdade nesta
nação. Que Deus esteja connosco!
Mais de vinte mil pessoas festejavam como se de
uma vitória se trata-se. Estendi a mão para cumprimentar os que se encontravam
perto do palco e fomos, de imediato, retirados do palco, por motivos de
segurança. Combinei com o Amilcar para corrermos juntos na manhã seguinte. Ele
aceitou de bom grado e regressámos ao hotel. Enquanto a Lisa foi trocar-se,
aproveitei para reunir com a Lauren.
Oliver - Estou exausto!
Lauren - Já somos dois. Não vejo a hora de ter um
dia de descanso.
Oliver - Temos tido tanto trabalho que nem temos
tido tempo para nós.
Lauren - Tens razão, mas é impossível arranjar
tempo. O que queres falar comigo?
Oliver - O que achas do Amilcar para vice-presidente?
Lauren - Andas a ler os meus pensamentos. Eu ia
perguntar-te a mesma coisa. Acho-o fantástico. É visível que o povo daqui
adora-o. E além dele ser um grande amigo teu, ele é jovem, tem a mesma idade
que tu.
Oliver - Vou convidá-lo amanhã para ser o meu
vice.
Lauren - Fazes bem, mas caso ele aceite, vamos
ter que investigar a vida toda dele para ver se está limpo.
Oliver - Sem problema, eu sei o procedimento.
Lauren - Ótimo! Como estão as coisas com a Lisa?
Oliver - Estamos a deixar as coisas acontecerem.
Queremos que isso resulte.
Lauren - Vocês dormem na mesma cama. Isso já é um
avanço importante.
Oliver - Exato. Agora vai dormir que amanhã temos
trabalho.
Lauren - Está bem, chefe! Até amanhã. Dorme bem.
Subi para o quarto e, mais uma vez, a Lisa
desligou o telemóvel às pressas quando notou a minha presença. Não comentei
nada e entrei na casa de banho para me trocar. Deitei-me na cama e a Lisa pegou
no iPad para me mostrar a repercussão que o meu anúncio estava a causar nas redes
socias. Já a quem me considera Presidente, outros acham que estou apenas a
perder o meu tempo. Apenas um candidato, Jamal Fayeed, da Frente Nacional
Islâmica (FNI), que disse no Twitter: Quem é esse Oliver Thomas? Julgava eu que
ele ainda andava no colégio…
Lisa - Esse homem é tão desagradável.
Oliver - Usaremos isso a nosso favor. Não dês
tanta atenção a isso. Dorme bem, querida!
Lisa - Obrigada e igualmente, querido.
Acordei com a Lisa a chamar por mim com uma
revista na mão.
Oliver - Bom dia. O que se passa?
Lisa -
Olha para isso! Estamos a ser atacados!
Oliver - Não estamos a ser atacados. O Riley é que deu essa notícia à
imprensa.
Lisa - Mas eu não fui paga e tu sabes bem disso.
Oliver - Eu vou explicar-te. O Riley mandou fabricarem essa notícia,
para podermos dar uma entrevista a mostrar que isso tudo é uma farsa e
acusarmos os outros candidatos.
Lisa - Que susto! Devias ter-me dito antes.
Oliver - Esqueci-me, desculpa, amor.
Lisa - Tu disseste “amor”?
Oliver - Alguém me disse que temos que começar a tratar-nos assim.
Lisa - Andas a aprender bem. Gosto disso.
Preparei-me e fui fazer a minha corrida com o Amilcar, onde o convidei
a ser meu vice-presidente. A resposta foi positiva e ambos ficámos satisfeitos.
No resto do dia cumprimos a agenda da campanha. Na quarta-feira à tarde
regressámos a Union. À noite, fui jantar com a Lisa no restaurante Fire no 101
Tower e terminámos a noite no cinema do palácio.
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