
Voltámos para o palácio e antes de dormirmos, voltei a apanhar a Lisa
ao telemóvel. Para disfarçar, começou a beijar-me e deixei-me levar. Cada dia
que passa, a nossa relação vai se fortalecendo, mas estou a ficar cada vez mais
preocupado com esses telefonemas.
No dia seguinte, por volta das 17 horas, embarcámos com destino a
Adnaul, a próxima cidade a receber a nossa campanha. Como é habitual, eu e a
Lauren fomos à nossa aula de Geografia com o professor Simbala.
Simbala - Estamos a cerca de 7 horas, de Adnual, a famosa cidade das
fábricas. É uma cidade no Noroeste que faz fronteira com o Chade. Tem cerca de
9 milhões de habitantes, o que lhe dá o estatuto da segunda cidade mais
populosa do país. Adnual é um grande centro industrial e económico do país, é a
terceira cidade com maior número de milionários do país e a cidade em que as
mulheres são melhor remuneradas, sem diferença salarial com os homens. O PIB da
cidade é de 34 bilhões anuais. No transporte tem uma ótima rede, a segunda
melhor do país com várias carreiras de autocarro e 5 linhas de metro. A cidade
não é muito forte em turismo, mas detém um dos lugares mais visitados do país,
o estádio Castellan, com capacidade de 75 mil espetadores, o segundo maior
estádio do país. Conta com um ensino superior de grande capacidade, com três
universidades, a Universidade de Adnual, a principal da cidade; a Universidade
Metropolitana de Adnual, criada em 2004; e a Universidade Católica de Adnual. Adnual
vive para o futebol, é a cidade em que a maioria dos habitantes prefere futebol
a rubgy ou basquetebol. É a sede de duas equipas de futebol que lutam pelos primeiros
lugares do campeonato, o Adnual City e o Adnual United, e tem apenas uma equipa de basquete, a Adnual
Pistons. O governador da cidade é o democrata Edward Munphy que já vai no seu
segundo mandato.
Depois da pequena aula, fui até à sala onde a Cate estava a trabalhar.
Ela anda meio distante nos últimos dias. Parece-me preocupante.
Oliver - Posso?
Cate - Claro, estou aqui a organizar as próximas viagens.
Oliver - Está tudo bem contigo?
Cate - Sim, estou ótima.
Oliver - Andas estranha. Anda lá. Podes abrir-te comigo.
Cate - Não tem nada a haver com trabalho. Estou apenas a passar um
momento delicado na minha vida pessoal.
Oliver - Sendo assim, quando quiseres falar comigo, sabes onde me
encontrar.
Virei as costas para ir-me embora e foi quando a Cate chamou por mim e,
em poucos segundos, estava à minha frente, sem proferir nenhuma palavra,
aproximou os seus lábios nos meus e começamos a beijar-nos fervorosamente. As minhas
mãos agarraram no rabo da Cate e colocaram-na por cima da secretária. A Cate
começou a desabotoar a minha camisa e, de repente, parou de me beijar e saiu de
cima da secretária.
Cate - Meu Deus, isso não devia ter acontecido, Oliver. Eu sou casada
e tu também és.
Oliver - Tens razão. Desculpa-me.
Cate - Não peças desculpa. A culpa foi minha. Deixei-me levar. Isso
não devia ter acontecido. Promete-me que morre aqui e ninguém vai ficar a saber.
Oliver - Não te preocupes. Ninguém vai saber. Será o nosso segredo.
Cate - Obrigada! Que vergonha!
Oliver - Eu vou-me embora e esquecemos o que aconteceu.
Ainda faltava muito para aterrarmos em Adnual. Fui para a suíte ter
com a Lisa, na esperança de ser recebido com o sorriso sedutor. Fui recebido
com apenas um olhar cruel.
Oliver - Já estava com saudades da minha mulher, sabias?
Lisa - Não precisas de me aldrabar, querido!
Oliver - Estou a ser sincero!
Lisa - Acredito vivamente que estejas. Com licença. Vou dormir um
pouco.
Achei meio estranho essa atitude da Lisa, provavelmente deve estar
relacionado com os misteriosos telefonemas. Aterrámos no Aeroporto de Adnual,
quatro horas depois. Já passava da meia-noite. Fomos para ao Hotel Mandarim
Oriental Adnual e ficámos hospedados na nossa suíte Penthouse, que ocupa o último
andar do hotel e oferece uma privilegiada vista da cidade. Sem muita conversa
desde que saímos do aeroporto, a Lisa pegou nas suas coisas e foi para outro
quarto. Quando percebi que ela tinha mudado de quarto, fui questioná-la.
Oliver - Porque mudaste de quarto? Não gostaste do outro?
Lisa - Prefiro ficar aqui sozinha.
Oliver - Passou-se alguma coisa? Fiz-te alguma coisa que não gostaste?
Lisa - Não sei. Só tu é que deves saber e se não te importares,
gostaria de dormir.
Oliver - Peço desculpa. Até amanhã. Dorme bem.
Na manhã seguinte, depois da inauguração da fábrica de produção de
queijo, tivemos uma pequena reunião antes do almoço com o governador da cidade.
Cate - Infelizmente, surgiu um imprevisto e a Lisa vai ter que ir
sozinha à Universidade de Adnual.
Lisa - Não vejo porque ir sozinha.
Cate - O Oliver vai participar na assembleia regional do partido que
se realiza amanhã. Recebemos o convite há pouco tempo por isso não fazia parte do
programa.
Lisa - Devias prestar mais atenção a essas coisas quando estás a
preparar o programa.
Cate - Lisa, eu não consigo prever nada por enquanto.
Lisa - O teu trabalho é saber de tudo para que corra tudo na perfeição
e se não consegues fazer isso devias pensar em mudar de emprego. À custa disso
vou sozinha à universidade.
Lauren - Não vamos discutir por causa disso. Eu acompanho-te, Lisa.
Lisa - Obrigada, Lauren.
Oliver - Pessoal, vamos fazer uma pausa de 5 minutos. Preciso
conversar com minha mulher.
A sala foi desocupada e ficámos apenas nós os dois. Durante alguns
segundos só trocamos olhares até que ela quebrou o silêncio.
Lisa - O que queres?
Oliver - O que se passa contigo? Estás completamente diferente! Não
percebo porque trataste a Cate daquela maneira.
Lisa - Apenas disse a verdade. E se for para defender a tua querida,
vou retirar-me agora mesmo.
Oliver - Alguma coisa deve ter acontecido para estares assim!
Lisa - Pois é. A propósito, não vou ao almoço com o governador. Vou
sair para descansar. Adeus!
Saiu da sala disparada, sentei-me e esperei até o grupo entrar na
sala.
Riley - Onde está a Lisa?
Oliver - Subiu para o quarto. Não se está a sentir bem e foi descansar.
Riley - Vocês tem que estar na casa do governador daqui a 40 minutos.
Oliver - A Lisa não vai.
Cate - O quê? E agora? É fundamental que ela vá. A mulher do
governador vai lá estar. Merda!
Riley - O que vamos fazer agora? Alguém tem que substituir a Lisa.
Lauren - Eu não vou, já vou amanhã com a Lisa à universidade.
Riley - Sobras tu, Cate…
Cate - Pronto, eu vou…
Oliver - Então, vamos que não quero chegar atrasado.
Riley - Divirtam-se!
Oliver - Vai-te lixar!
Chegámos à casa do governador Edward num instante, graças à escolta
policial que nos foi fornecida.
Edward - Boa tarde, Oliver! Bem-vindo!
Oliver - Boa tarde e obrigado pelo convite, senhor governador. Não sei
se já conhece a minha companhia. Cate, chefe da minha campanha.
Edward - Sim, claro! Prazer em vê-la.
Cate - Obrigada!
Edward - Esta é a minha esposa Samara.
Oliver - É um prazer conhecê-la, senhora Samara!
Samara - Trate-me por Sarama, por favor. É uma honra conhecer o nosso
futuro presidente. Julguei que viesse com a sua esposa?
Oliver - A Lisa sentiu-se indisposta e ficou no hotel a repousar, mas
agradece o convite.
Samara - Lamento!
Os dois dias seguintes pareciam não ter fim. A Lisa estava
completamente fora de si. Era contra tudo o que a Cate dizia. Quando tentava
falar com ela, arranjava sempre alguma coisa para não me ouvir. Assim que
entrámos no avião para regressar a Union, a Lisa perguntou-me se podia ficar na
suíte sozinha. Para evitar mais conflitos respondi que sim. Depois do avião
levantar voo, a Lauren veio sentar-se ao pé de mim.
Lauren - Fizeste bosta, meu amigo…
Oliver - Do que estás a falar?
Lauren - Tu e Cate aos beijos no voo para Adnual… isso diz-te alguma
coisa?
Oliver - Foi algo sem importância. Aconteceu. Era para ficar em
segredo.
Lauren - Explica isso à tua mulher. Ela viu-vos aos beijos e está
furiosa contigo, porque parece que vocês estavam a começar a ser um casal de
verdade.
Oliver - Agora tudo faz sentido. O comportamento agressivo dela com a
Cate. Não fazia a mínima ideia que ela nos tinha visto.
Lauren - Tens que falar com ela. Vocês precisam de resolver isso pelo
bem de todos e principalmente da Cate.
Oliver - Vou falar com ela assim que chegarmos em casa.
Lauren - Faz isso. Agora vou dormir um pouco.
Quando chegamos ao palácio, caminhámos juntos até ao nosso quarto sem
dirigirmos uma única palavra. Assim que entrámos, a Lisa foi a casa-de-banho.
Esperei longos minutos por ela. Quando finalmente saiu, tentou esquivar o
contacto visual comigo e deitou-se na cama.
Oliver - Precisamos de conversar. Isso não pode continuar assim!
Lisa - Não temos nada para conversar, Oliver!
Oliver - Mal falas comigo. Dormimos em quartos separados. Falas mal
com a Cate. Isso tem de acabar agora. Eu sei que viste o beijo entre mim e a
Cate e peço-te desculpa. Não era para ter acontecido e não voltará a acontecer.
Lisa - Como fui burra em acreditar que isso ia resultar. Tu és
egoísta. Só pensaste em ti. Não sei o que ainda estás a fazer aqui. Podes ir
ter com a Cate.
Oliver - Pára! Não vamos aqui estar a fingir. Ambos sabemos bem o
porquê de estarmos casados. Não vejo qual é o mal de eu ter beijado a Cate e se
tivesses ficado até ao fim ias perceber que foi um erro e que tanto eu como ela
nos arrependemos.
Lisa - Tens razão e não passo de um objeto que fingi ser tua mulher e
caso eu me vá embora, arranjam outra para me substituir.
Oliver - Eu não disse isso. Mas faz como quiseres e se quiseres ir
embora, as portas estão abertas!
Lisa - És tão estúpido! Sempre que algo não vai como queres, mandas as
pessoas embora da tua vida.
Oliver - Eu quero pessoas que queiram estar comigo, não raparigas
mimadas.
Lisa - A rapariga mimada não vai embora, porque não vou dar-te esse
gostinho.
Oliver - Como queiras.
Virei
as costas à Lisa e fui para o meu antigo quarto. A vida de casal começava agora
a mostrar as suas desvantagens.
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