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«Eu Tenho o Poder»: Episódio 11 - «Por um fio...»

Voltámos para o palácio e antes de dormirmos, voltei a apanhar a Lisa ao telemóvel. Para disfarçar, começou a beijar-me e deixei-me levar. Cada dia que passa, a nossa relação vai se fortalecendo, mas estou a ficar cada vez mais preocupado com esses telefonemas.
No dia seguinte, por volta das 17 horas, embarcámos com destino a Adnaul, a próxima cidade a receber a nossa campanha. Como é habitual, eu e a Lauren fomos à nossa aula de Geografia com o professor Simbala.
Simbala - Estamos a cerca de 7 horas, de Adnual, a famosa cidade das fábricas. É uma cidade no Noroeste que faz fronteira com o Chade. Tem cerca de 9 milhões de habitantes, o que lhe dá o estatuto da segunda cidade mais populosa do país. Adnual é um grande centro industrial e económico do país, é a terceira cidade com maior número de milionários do país e a cidade em que as mulheres são melhor remuneradas, sem diferença salarial com os homens. O PIB da cidade é de 34 bilhões anuais. No transporte tem uma ótima rede, a segunda melhor do país com várias carreiras de autocarro e 5 linhas de metro. A cidade não é muito forte em turismo, mas detém um dos lugares mais visitados do país, o estádio Castellan, com capacidade de 75 mil espetadores, o segundo maior estádio do país. Conta com um ensino superior de grande capacidade, com três universidades, a Universidade de Adnual, a principal da cidade; a Universidade Metropolitana de Adnual, criada em 2004; e a Universidade Católica de Adnual. Adnual vive para o futebol, é a cidade em que a maioria dos habitantes prefere futebol a rubgy ou basquetebol. É a sede de duas equipas de futebol que lutam pelos primeiros lugares do campeonato, o Adnual City e o Adnual United,  e tem apenas uma equipa de basquete, a Adnual Pistons. O governador da cidade é o democrata Edward Munphy que já vai no seu segundo mandato.
Depois da pequena aula, fui até à sala onde a Cate estava a trabalhar. Ela anda meio distante nos últimos dias. Parece-me preocupante.
Oliver - Posso?
Cate - Claro, estou aqui a organizar as próximas viagens.
Oliver - Está tudo bem contigo?
Cate - Sim, estou ótima.
Oliver - Andas estranha. Anda lá. Podes abrir-te comigo.
Cate - Não tem nada a haver com trabalho. Estou apenas a passar um momento delicado na minha vida pessoal.
Oliver - Sendo assim, quando quiseres falar comigo, sabes onde me encontrar.
Virei as costas para ir-me embora e foi quando a Cate chamou por mim e, em poucos segundos, estava à minha frente, sem proferir nenhuma palavra, aproximou os seus lábios nos meus e começamos a beijar-nos fervorosamente. As minhas mãos agarraram no rabo da Cate e colocaram-na por cima da secretária. A Cate começou a desabotoar a minha camisa e, de repente, parou de me beijar e saiu de cima da secretária.
Cate - Meu Deus, isso não devia ter acontecido, Oliver. Eu sou casada e tu também és.
Oliver - Tens razão. Desculpa-me.
Cate - Não peças desculpa. A culpa foi minha. Deixei-me levar. Isso não devia ter acontecido. Promete-me que morre aqui e ninguém vai ficar a saber.
Oliver - Não te preocupes. Ninguém vai saber. Será o nosso segredo.
Cate - Obrigada! Que vergonha!
Oliver - Eu vou-me embora e esquecemos o que aconteceu.
Ainda faltava muito para aterrarmos em Adnual. Fui para a suíte ter com a Lisa, na esperança de ser recebido com o sorriso sedutor. Fui recebido com apenas um olhar cruel.
Oliver - Já estava com saudades da minha mulher, sabias?
Lisa - Não precisas de me aldrabar, querido!
Oliver - Estou a ser sincero!
Lisa - Acredito vivamente que estejas. Com licença. Vou dormir um pouco.
Achei meio estranho essa atitude da Lisa, provavelmente deve estar relacionado com os misteriosos telefonemas. Aterrámos no Aeroporto de Adnual, quatro horas depois. Já passava da meia-noite. Fomos para ao Hotel Mandarim Oriental Adnual e ficámos hospedados na nossa suíte Penthouse, que ocupa o último andar do hotel e oferece uma privilegiada vista da cidade. Sem muita conversa desde que saímos do aeroporto, a Lisa pegou nas suas coisas e foi para outro quarto. Quando percebi que ela tinha mudado de quarto, fui questioná-la.
Oliver - Porque mudaste de quarto? Não gostaste do outro?
Lisa - Prefiro ficar aqui sozinha.
Oliver - Passou-se alguma coisa? Fiz-te alguma coisa que não gostaste?
Lisa - Não sei. Só tu é que deves saber e se não te importares, gostaria de dormir.
Oliver - Peço desculpa. Até amanhã. Dorme bem.
Na manhã seguinte, depois da inauguração da fábrica de produção de queijo, tivemos uma pequena reunião antes do almoço com o governador da cidade.
Cate - Infelizmente, surgiu um imprevisto e a Lisa vai ter que ir sozinha à Universidade de Adnual.
Lisa - Não vejo porque ir sozinha.
Cate - O Oliver vai participar na assembleia regional do partido que se realiza amanhã. Recebemos o convite há pouco tempo por isso não fazia parte do programa.
Lisa - Devias prestar mais atenção a essas coisas quando estás a preparar o programa.
Cate - Lisa, eu não consigo prever nada por enquanto.
Lisa - O teu trabalho é saber de tudo para que corra tudo na perfeição e se não consegues fazer isso devias pensar em mudar de emprego. À custa disso vou sozinha à universidade.
Lauren - Não vamos discutir por causa disso. Eu acompanho-te, Lisa.
Lisa - Obrigada, Lauren.
Oliver - Pessoal, vamos fazer uma pausa de 5 minutos. Preciso conversar com minha mulher.
A sala foi desocupada e ficámos apenas nós os dois. Durante alguns segundos só trocamos olhares até que ela quebrou o silêncio.
Lisa - O que queres?
Oliver - O que se passa contigo? Estás completamente diferente! Não percebo porque trataste a Cate daquela maneira.
Lisa - Apenas disse a verdade. E se for para defender a tua querida, vou retirar-me agora mesmo.
Oliver - Alguma coisa deve ter acontecido para estares assim!
Lisa - Pois é. A propósito, não vou ao almoço com o governador. Vou sair para descansar. Adeus!
Saiu da sala disparada, sentei-me e esperei até o grupo entrar na sala.
Riley - Onde está a Lisa?
Oliver - Subiu para o quarto. Não se está a sentir bem e foi descansar.
Riley - Vocês tem que estar na casa do governador daqui a 40 minutos.
Oliver - A Lisa não vai.
Cate - O quê? E agora? É fundamental que ela vá. A mulher do governador vai lá estar. Merda!
Riley - O que vamos fazer agora? Alguém tem que substituir a Lisa.
Lauren - Eu não vou, já vou amanhã com a Lisa à universidade.
Riley - Sobras tu, Cate…
Cate - Pronto, eu vou…
Oliver - Então, vamos que não quero chegar atrasado.
Riley - Divirtam-se!
Oliver - Vai-te lixar!
Chegámos à casa do governador Edward num instante, graças à escolta policial que nos foi fornecida.
Edward - Boa tarde, Oliver! Bem-vindo!
Oliver - Boa tarde e obrigado pelo convite, senhor governador. Não sei se já conhece a minha companhia. Cate, chefe da minha campanha.
Edward - Sim, claro! Prazer em vê-la.
Cate - Obrigada!
Edward - Esta é a minha esposa Samara.
Oliver - É um prazer conhecê-la, senhora Samara!
Samara - Trate-me por Sarama, por favor. É uma honra conhecer o nosso futuro presidente. Julguei que viesse com a sua esposa?
Oliver - A Lisa sentiu-se indisposta e ficou no hotel a repousar, mas agradece o convite.
Samara - Lamento!
Os dois dias seguintes pareciam não ter fim. A Lisa estava completamente fora de si. Era contra tudo o que a Cate dizia. Quando tentava falar com ela, arranjava sempre alguma coisa para não me ouvir. Assim que entrámos no avião para regressar a Union, a Lisa perguntou-me se podia ficar na suíte sozinha. Para evitar mais conflitos respondi que sim. Depois do avião levantar voo, a Lauren veio sentar-se ao pé de mim.
Lauren - Fizeste bosta, meu amigo…
Oliver - Do que estás a falar?
Lauren - Tu e Cate aos beijos no voo para Adnual… isso diz-te alguma coisa?
Oliver - Foi algo sem importância. Aconteceu. Era para ficar em segredo.
Lauren - Explica isso à tua mulher. Ela viu-vos aos beijos e está furiosa contigo, porque parece que vocês estavam a começar a ser um casal de verdade.
Oliver - Agora tudo faz sentido. O comportamento agressivo dela com a Cate. Não fazia a mínima ideia que ela nos tinha visto.
Lauren - Tens que falar com ela. Vocês precisam de resolver isso pelo bem de todos e principalmente da Cate.
Oliver - Vou falar com ela assim que chegarmos em casa.
Lauren - Faz isso. Agora vou dormir um pouco.
Quando chegamos ao palácio, caminhámos juntos até ao nosso quarto sem dirigirmos uma única palavra. Assim que entrámos, a Lisa foi a casa-de-banho. Esperei longos minutos por ela. Quando finalmente saiu, tentou esquivar o contacto visual comigo e deitou-se na cama.
Oliver - Precisamos de conversar. Isso não pode continuar assim!
Lisa - Não temos nada para conversar, Oliver!
Oliver - Mal falas comigo. Dormimos em quartos separados. Falas mal com a Cate. Isso tem de acabar agora. Eu sei que viste o beijo entre mim e a Cate e peço-te desculpa. Não era para ter acontecido e não voltará a acontecer.
Lisa - Como fui burra em acreditar que isso ia resultar. Tu és egoísta. Só pensaste em ti. Não sei o que ainda estás a fazer aqui. Podes ir ter com a Cate.
Oliver - Pára! Não vamos aqui estar a fingir. Ambos sabemos bem o porquê de estarmos casados. Não vejo qual é o mal de eu ter beijado a Cate e se tivesses ficado até ao fim ias perceber que foi um erro e que tanto eu como ela nos arrependemos.
Lisa - Tens razão e não passo de um objeto que fingi ser tua mulher e caso eu me vá embora, arranjam outra para me substituir.
Oliver - Eu não disse isso. Mas faz como quiseres e se quiseres ir embora, as portas estão abertas!
Lisa - És tão estúpido! Sempre que algo não vai como queres, mandas as pessoas embora da tua vida.
Oliver - Eu quero pessoas que queiram estar comigo, não raparigas mimadas.
Lisa - A rapariga mimada não vai embora, porque não vou dar-te esse gostinho.
Oliver - Como queiras.
Virei as costas à Lisa e fui para o meu antigo quarto. A vida de casal começava agora a mostrar as suas desvantagens.

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