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«Eu Tenho o Poder»: Episódio 2 - «Próximo Presidente»

 
Abri lentamente os olhos devido aos raios de sol que entravam pela janela que esqueci aberta na madrugada. O cheiro do Mar Vermelho, juntamente com o cheiro do perfume de Lauren, penetravam no meu nariz, formando uma combinação suave e agradável.

Lauren - Bom dia, bela adormecida! Dormiu bem?
Oliver - Bom dia, querida! Dormi pouco mas bem e tu?
Lauren - Dormi bem! Prepara-te. Vamos tomar o pequeno-almoço. Já passam das 9 horas.
Oliver - Não me apetece sair dessa cama. Não quero encarar esse dia.
Lauren - Anda lá, Oliver! A tua família precisa de ti. Tens que encarnar esse líder que se esconde aí dentro de ti. Imagina que estás em tribunal.
Oliver - Está bem! Dá-me dez minutos e já desço.
Lauren - Preparei o fato azul da Tom Ford. Espero por ti aqui. Não quero descer sozinha.
Alguns minutos depois, eu e a Lauren descemos. Na sala do pequeno-almoço apenas encontrámos o Ethan e as crianças.
Ethan - Bom dia, Oliver! Dormiste bem?
Oliver - Bom dia, dormi sim, Ethan. Obrigado por perguntares. Olá, coisas lindas!
Sarah/Elliot - Olá, tio!
Ethan - Estão à tua espera na sala de reunião.
Oliver - Obrigado pelo aviso. Já lá vou ter. Lauren, vens comigo?
Lauren - Sim, vamos. Até já, Ethan e meninos.
Andámos que nem loucos à procura da sala de reunião, ate que a Ruby apareceu e levou-nos lá. Esperavam por mim a minha mãe, o tio Isaac e o Riley, filho do tio Isaac. Eu e o Riley fomos grandes amigos até eu ter ido embora para Londres. No início visitava-me, mas depois de uns anos perdemos contacto e a amizade.
Riley - Oliver, primo. Como estás?
Oliver - Estou bem e tu, Riley?
Riley - Também estou bem. Fico feliz por estares aqui.
Oliver - Obrigado. Como estás, tio?
Isaac - Estou a aguentar firme, sobrinho.
Oliver - Mãe, bom dia!
Abigail - Bom dia, meu filho!
Isaac - Bem, Oliver. Chamamos-te aqui porque precisamos de discutir algumas coisas contigo. A Lauren podia dar-nos licença.
Oliver - A Lauren é minha amiga e assistente. Ela pode ouvir tudo.
Riley - Oliver, são coisas confidenciais.
Ruby - Riley, o Oliver já disse que a Lauren fica.
Isaac - Se é esse o teu desejo, a Lauren pode ficar. Primeiramente penso que já saibas que o Jacó foi envenenado.
Oliver - Sim, a Ruby disse-me. Acho que devíamos falar a verdade ao povo. Eles precisam de saber. Isso vai ajudar a derrubar os radicais.
Isaac - Ninguém sabe quem foi. Até pode ter sido um dos nossos aliados. Esse assunto tem que permanecer dentro dessas paredes. Precisamos de nos focar agora na sua candidatura para a presidenciais. As eleições são daqui a três meses.
Oliver - Ainda nem o enterrámos e já estamos a pensar em política? O que se passa com vocês?!
Abigail - O teu pai quis assim, Oliver!
Riley - O país não pode ficar em segundo plano.
Isaac - Precisamos de te preparar. Tu precisas de saber tudo em apenas uma semana.
Oliver - Sendo assim vamos começar.
Riley - O primeiro passo é o teu discurso para o funeral de amanhã. Já chamei o escritor de discurso que trabalhava para o presidente, ele vem a caminho. O segundo passo é arranjarmos uma mulher para ti, Oliver. Tens que casar antes de apresentares a candidatura.
Oliver - Que absurdo! Eu não me vou casar com qualquer mulher só para ser presidente.
Abigail - O povo nunca votaria num candidato solteiro, meu filho. Se tiveres uma namorada que seja local, diz agora que nos convencemo-la a casar-se.
Oliver - Eu não tenho namorada, mãe!
Riley - Isso não é problema! Selecionamos duas lindas mulheres, amanhã, depois do funeral. Poderás escolher uma delas para ser a tua primeira-dama.
Oliver - Estou a ver que vocês têm tudo pronto, mas eu só vou fazer isso se for do meu jeito e com as minhas exigências.
Isaac - Diga-nos o que pretendes.
Oliver - Eu quero formar a minha própria equipa e começo já por colocar a Lauren como minha conselheira e consultora. E gostaria de saber qual é a tua função nisso tudo, Riley?
Riley - Eu sou o chefe de gabinete do Presidente. Espero que me possas deixar-te ajudar nesse processo todo.
Oliver - Por enquanto podes continuar a ser o chefe de gabinete.
Isaac - Vou retirar-me agora para preparar a cerimónia fúnebre. O Riley vai passar-te a ordem de trabalho até o escritor de discursos chegar.
Oliver - Até já, tio.
A minha mãe e o Ruby também aproveitaram a deixa e saíram da sala. Fiquei apenas com a Lauren e o Riley, apesar de não confiar nele. Sei que preciso dele se for à frente com essa coisa de ser Presidente.
Oliver - Bem, Riley, quero que trabalhes diretamente com a Lauren. Quero que ela saiba de tudo.
Riley - Precisamos de dar a nacionalidade para a Lauren. Estrangeiros não podem trabalhar no governo.
Oliver - Isso não vai ser um problema. A Lauren nasceu em Memorial City.
Riley - Ainda bem! Não te preocupes que passarei todas as informações para a Lauren. Hoje à tarde, vem cá o professor Edward, professor de história  da Universidade Frank Thomas. Vai dar-te toda a informação sobre a história do país. Amanhã virá cá o professor Simbala, professor de Geografia que te passará tudo em relançar as nossas cidades e territórios.
Oliver - Podemos tratar do discurso agora?
Riley - Sim. Vou ver se o rapaz já chegou.

Assim que o Riley saiu, senti uma paz instalar-se por alguns segundos por todos os cantos da enorme sala. Não demorou muito. O Riley entrou com o rapaz que escreve o discurso, parece mais jovem do que imaginei: alto, deve medir quase 2 metros e pelos traços parece ser muçulmano, algo que se comprovou assim que o Riley o apresentou.
Riley - Oliver e Lauren, apresento-vos Aram Noordine.
Oliver - Muito prazer, Aram!
Aram - O prazer é todo, meu senhor. Quero desde já prestar as minhas condolências pela perda do seu pai que foi um grande homem e um bom Presidente.
Oliver - Muito obrigado, Aram!
Lauren - Prazer, Aram!
Aram - Prazer, senhora!
Oliver - Há quanto tempo trabalha aqui, Aram?
Aram - Aproximadamente quatro anos, senhor.
Oliver - Desculpe a curiosidade. Quantos anos tem?
Aram - 29 anos, senhor.
Oliver - Muito bem, vamos começar.
Aram - Senhor, a minha ideia é deixá-lo falar sobre o que acha importate para eu ter a noção o que escrever.
Oliver - Tem toda a razão, Aram. Acho que devemos focar no homem que vamos homenagear e relembrar as coisas boas que ele nos passou.
Riley - Precisas de falar também sobre a política, Oliver! Isso é importante para passar uma mensagem de liderança.
Lauren - Não é o momento para se falar em política, Oliver. Precisas de falar sobre o teu pai e sobre o pai do povo e não sobre política. O que é que as pessoas vão pensar? Esse filho quer ocupar o lugar do pai e ainda nem foi enterrado.
Riley - Por favor, Lauren! Tu não percebes nada de política. Se nós queremos vencer essa eleição temos que começar a falar dela imediatamente porque o povo não conhece quem é o Oliver Thomas, mas conhece os outros candidatos e a melhor altura de fazer propaganda é quando o mundo todo está de olho em nós.
Lauren - Eu não entendo de política e tu não entendes nada sobre o pensamento das pessoas. O Oliver precisa de mostrar que é um filho que amou incondicionalmente o seu pai. O Oliver precisa de apelar o emocional das pessoas. É isso que nos precisamos.
Oliver - Lauren e Riley, saíam da sala, por favor. Vão dar uma volta e entendam-se. Quando conseguirem concordar em alguma coisa, podem voltar. Eu e o Aram vamos tratar do discurso. Estão dispensados!
Riley - Oliver, tu precisas de me ouvir.
Oliver - É melhor saÍres agora. senão vou ter que te despedir.
Os dois saíram da sala e pude respirar fundo. Ambos deixaram-me extremamente furioso. O pior é que não posso defender nenhum dos dois porque ambos têm razão.
Aram - O senhor quer fazer isso noutra hora?
Oliver - Não, vamos fazer agora. Pronto para escrever?
Aram - Sim, senhor.

Decidimos dar um toque pessoal, mas também político ao discurso. Falando de coisas que o meu pai fez e incentivou. O resultado final ficou bastante agradável tanto para mim como para o Aram. Minutos depois de termos terminado, o Riley regressou à sala sem a Lauren.
Riley - Peço desculpa pelo meu comportamento, Oliver! Não volta a acontecer.
Oliver - Tudo bem! Eu e o Aram terminámos o discurso. Dá uma olhada.
Aram - Penso que está perfeito.
Riley - Está bonito. Bom trabalho, Aram!
Aram - Obrigado, Riley! Mas o senhor Oliver fez praticamente tudo sozinho. Limitei-me a escrever.
Oliver - Fizemos uma boa dupla, Aram.
Aram - Obrigado, senhor! Se não vai precisar mais de mim, vou retirar-me.
Oliver - Esteja à vontade, nós vemos amanhã.
Aram - Até amanhã, senhor.
Riley - O almoço está a ser servido. Vamos?
Oliver - Não tenho fome. Quero dar um passeio pela cidade.
Riley - É muito perigoso. Primeiro, precisamos de ter uma reunião com os serviços secretos.
Oliver - Riley, eu quero dar uma volta. Ninguém me conhece e além disso posso ir acompanhado por dois seguranças, no máximo.
Riley - Tu é que sabes. Vai preparar-te que vou chamar os seguranças.
Oliver - Está bem.
Fiquei preocupado com a Lauren, eu meti-a nisso e nem perguntei se ela queria fazer parte. Andei à procura dela e por fim encontrei-a na discoteca, a ouvir “Hey Jude”, um dos grandes hits dos The Beatles.
Oliver - Tens saudades de casa?
Lauren - Não, eu tenho saudades do dia em que nos conhecemos. Foi um dos melhores dias da minha vida e não sei se te lembras, eu estava a cantar essa música no karaoke.
Oliver - Tu sempre foste uma ótima cantora!
Lauren - Obrigada, és um fofo! Quero pedir desculpa por ter discutido com o Riley e ter-me metido na tua vida.
Oliver - Não precisas de te desculpar. Tu também fazes parte da minha vida. Podes dar sempre a tua opinião.
Lauren - Esse teu primo tira-me do sério. Ele acha que sabe tudo.
Oliver - Precisas de ser forte. Vais ser várias vezes questionada. As pessoas não sabem que tu nasceste cá. Acham que és uma turista, o que não deixa de ser verdade.
Lauren - Se eu sou turista, tu tambem és, querido!
Oliver - Por isso mesmo. O que achas de irmos dar uma volta pela cidade. Quem sabe comer qualquer coisa na rua.
Lauren - Ótima ideia! Temos três horas até à nossa primeira aula de História.
Oliver - Então vamos nessa?
Nós aprontamos e fomos ter com o Riley, que aguardava por nós no átrio do palácio com um segurança, enquanto caminhávamos até eles, notei que conversam como se fossem amigos.
Riley - Oliver, este é o Emmanuel, chefe da segurança do Presidente há mais de dez anos.
Oliver - Muito prazer, Emmanuel. Obrigado por aceitar-nos acompanhar.
Emmanuel - O prazer é todo meu, senhor.
Oliver - Esta é a senhorita Lauren, a minha conselheira e consultora.
Emmanuel - Prazer!
Lauren - Muito gosto em conhecê-lo.
Riley - Bom, eu vou almoçar. Tenham um bom passeio!
Oliver - Obrigado!
Lauren – Emmanuel, nós temos apenas três horas e queríamos ir para um sítio bom, agradável e com boa comida nacional.
Emmanuel - Senhora, temos um lugar perfeito para isso, no 78º andar do 101 Tower. Tem o melhor restaurante com a melhor vista da cidade.
Oliver - Como se chama o restaurante?
Emmanuel - Chama-se Fire. Serve comida nacional e europeia.
Oliver - Por mim podemos ir.
Lauren - Então vamos logo que já se faz tarde.

Entrámos no Cadillac preto que estava estacionado mesmo em frente à entrada e cumprimentámos o motorista, a caminho da 101 Tower. O Emmanuel ia dizendo os nomes da zona em que passávamos. Durante o almoço perante aquela vista magnífica da cidade, ficámos a saber algumas coisas pessoais do Emmanuel: casado há quinze anos com uma professora primária, tem uma filha de treze anos, contou-nos também que o pai dele foi chefe da segurança do Presidente Frank Thomas que é o meu avô.

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