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«Eu Tenho o Poder»: Episódio 4 - «Reencontros»

Acordei bem cedo e quando desci para a sala de reunião, o Aram e a Lauren já conversavam muito bem-dispostos. Nunca entendi como a Lauren consegue acordar sempre bem-disposta. Preparámos um discurso bem curto de modo a mostrar que não estou para disposto a convencer ninguém de que tem que aprovar a minha candidatura, porque nem eu estou convencido de que devo ser candidato.
Chegámos a Frank Thomas Tower onde é a sede oficial do Partido Democrata norte-africano. O edifício é um dos mais altos de África, com 88 andares, sendo os 10 primeiros andares destinados à sede do partido. Os restantes andares são ocupados por várias empresas nacionais e internacionais e conta também com dois restaurantes. Subimos até ao 10º andar, onde normalmente são realizados os congressos do partido. Assim que entrámos, a sala com lugar para 600 pessoas estava praticamente cheia, democratas de todos os cantos do país estavam lá. Ainda faltavam cerca de quarenta minutos para as 11 horas, o Riley teve a ideia de me apresentar algumas pessoas importantes do partido que poderão fazer parte do meu governo caso eu vença as eleições de 15 de setembro.
Riley - Oliver, queria que conhecesses a Cate e caso concordes ela será a chefe da tua campanha.
Oliver - Eu conheço-a. Não me lembro de onde mas conheço a sua cara.
Cate - Eu sei que me conhece, mas não digo de onde.
Ouvi uma voz que vinha por trás da Cate e era a Ruby que falava.
Ruby - Cate, querida, estou feita louca à tua procura.
Cate - Vim conhecer o Oliver.
Ruby - Por favor, vais dizer-me que já não te lembravas dele.
Oliver - Eu é que não me lembro dela.
Ruby - Como é que isso é possível? Não te lembras da Cate Stephans, a minha melhor amiga, que vivia na mesma rua que nós, em Memorial City. Tu até tinhas uma paixoneta por ela.
Cate - Fogo, Ruby! Estragaste a surpresa! Queria que ele se lembrasse.
Oliver - Meu Deus, como fui esquecer-me desta cara linda. Não é normal acontecer-me isso. Agora já me lembro. Faz tanto tempo, dá-me um abraço.
Cate - Confesso que também não me lembrava de ti. O Riley teve que me dizer que eras tu. Então o que achas? Estou contratada como chefe de campanha?
Oliver - Claro que estás! Temos muito que conversar.
Riley - Vão ter que conversar mais tarde. Agora preciso apresentar-te a uma pessoa. Anda comigo.
Oliver - Com licença, senhoritas.
Segui o Riley até aos lugares onde ficam o mais alto escalão do partido, onde me apresentou ao Ministro da Saúde, um grande amigo do meu pai e provavelmente o futuro presidente do partido.
Riley - Gerald Graham, apresento-lhe o próximo presidente do país, Oliver Thomas!
Gerald - É uma honra conhecer o nosso futuro presidente.
Oliver - A honra é minha em conhecê-lo, Gerald.
Gerald - Temos muita fé em si, meu rapaz. Parabéns pelo belo discurso, ontem no funeral.
Oliver - Muito obrigado. Espero não desiludir.
Gerald - Não vai ser fácil, meu rapaz. Mas você é um Thomas e todos sabemos como vocês são fortes e inteligentes.
Oliver - Darei tudo que tiver e o que não tiver por este país.
Gerald - É esse o espírito. Não vou roubar mais do seu tempo. Boa sorte!
Oliver - Obrigado, Gerald!
O Ministro da Saúde retirou-se com o seu copo de sumo de laranja e o Riley fez um comentário assim que ele se afastou.
Riley - Precisamos dele para Ministro da Saúde. Ele é o melhor e o povo adora-o e sem falar que todos aqui no partido respeita-o. O pai dele lutou com o avô para a criação da República.
Oliver - Depois de vencermos tratamos disso. Agora vou dar uma voltinha. Acho que vi alguém conhecido.
Riley - Está bem.
Caminhei até ao bar que estava aí perto. Pareceu-me ter visto um antigo amigo meu. Assim que cheguei ao bar, confirmei que era meu melhor amigo do tempo em que vivi em Memorial City.
Oliver - Alguma coisa me diz que estou a olhar para o Amilcar Roche.
Amilcar - Oliver Thomas! Dá-me um abraço, mano!
Oliver - Há quanto tempo, mano?!
Amilcar - É verdade! Desculpa não ter vindo para o funeral. Cheguei mesmo hoje. Estava em Filadélfia em trabalho.
Oliver - Não precisas de desculpar-te. Aconteceu tudo tão rápido. O que tens feito? Conta-me tudo.
Amilcar - Depois de teres ido para Londres, um ano depois mudei-me para Nova Iorque, onde fiquei até cinco anos atrás. Quando regressei, comecei a trabalhar no governo como deputado. Há três anos candidatei-me a governador de Memorial City e venci.
Oliver - Parabéns, mano! Deves ser um ótimo governador.
Amilcar - Eu amo ser político.
Oliver - Sempre amaste! Lembro-me bem de como adoravas ficar a conversar com o meu avô.
Amilcar - É verdade! E eu ouvi que vais candidatar-te à presidência!
Oliver - Sim, foi a última coisa que o meu pai pediu-me antes de morrer e eu prometi que faria.
Amilcar - Tu nasceste para isso, mano!
Oliver - Pois é! Eu sou um Thomas. Então e gajas?
Amilcar - Casado há quatro anos. Não se pode ser político nesse país se fores solteiro.
Oliver - O playboy Amilcar Roche casou?! Não acredito nisso!
Amilcar - Podes acreditar! Bem casado com uma americana e uma filha linda. Tens que as conhecer.
Oliver - Trá-las contigo no meu casamente esse sábado. A minha mãe vai mandar os convites.
Amilcar - Quem é a gaja que te vai amarrar? Eu vejo-te nas revistas sempre com uma estrela diferente.
Oliver - Como disseste, um político nesse país tem que ser casado. Depois falamos sobre esse assunto. Agora, o Presidente do partido tem que subir ao palco.
Amilcar - Está bem!

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