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«Eu Tenho o Poder»: Episódio 5 - «Luzes, Discurso, Ação»

O tio Isaac posicionou-se no palco e começou a discursar:
Isaac - Bom dia todos os militantes democratas! Recentemente fomos apanhados de surpresa com a morte do nosso líder, o meu irmão Jacó Thomas, a quem gostaria de prestar um minuto de silêncio... hoje estamos aqui reunidos de emergência não para lamentarmos a morte do nosso líder, mas sim para anunciarmos o nosso novo líder. Os tempos mudaram, os jovens exigem serem representados por jovens, nós os velhos estamos a caminho dos museus. Por esta razão e porque sinto que é a minha hora. Hoje anuncio a minha retirada na chefia do partido. A eleição para o meu substituto como Presidente do partido será eleito daqui a sete meses na nossa conveção de 15 de fevereiro de 2016. Por isso agradecia que apresentassem as candidaturas até dezembro deste ano. Não me vou alongar mais. O último desejo do meu irmão era ver seu filho concorrer e estamos aqui para tornar isso realidade. Senhoras e senhores, o nosso candidato às eleições de setembro e futuro Presidente da nossa nação, Oliver Thomas.

Surgiu uma forte aclamação. Certamente não por ouvirem o meu nome, mas sim em respeito ao presidente do partido que ao fim de 15 anos como presidente do partido anuncia a sua reforma. Subi ao palco e dei um beijo na bochecha direita que, na nossa tradição, simboliza respeito pelo nosso pai.
Oliver - Camaradas, democratas e compatriotas. Muito obrigado por me receberem hoje de braços e mentes abertas. Queria começar por agradecer ao senhor presidente pelos 15 anos de serviço pelo partido e pelo bom trabalho que fez. Fazendo das palavras do senhor presidente minhas, chegou o momento  de nós os jovens liderarmos, mas com toda a sabedoria que os nossos mais velhos nos ensinaram. Quando digo que chegou a altura dos jovens liderarem, não estou a afastar os mais velhos, porque como, é óbvio, precisamos de deles para nos guiarem com os seus conselhos. Não venho cá hoje para vos convencer a gostarem de mim, mas sim para propor uma união entre nós. Como norte-africanos que somos, devemos fortalecer a nossa confiança e lutarmos juntos pela salvação da nação. Não venho cá hoje pedir a vossa opinião em relação à minha candidatura, porque não mudaria a minha decisão. Chegou o momento  de engolir o orgulho. Chegou o momento de transpor os abismos que nos separa. Chegou o momento da nação. Por isso o nosso slogan da campanha será "Tudo por North Africa". Obrigado e que Deus esteja connosco.
Todos presentes levantaram-se e começaram a aplaudir e a gritar "Tudo por North Africa". Nem faziam ideia que acabei de criar o slogan em pleno palco. Ainda bem que gostaram, senão acho que o Riley me comia vivo. Falando do diabo, assim que desci do palco estava lá ele a olhar para mim com um ligeiro sorriso que mostrava bem o quanto é convencido.

Riley - Belo discurso! Conseguimos o apoio do partido.
Oliver - Isso é ótimo! Agora preciso de dormir que estou exausto.
Riley - Vou mandar prepararem os carros.
Oliver - Rápido!
Cate - Já vais fugir?
Oliver - Preciso de descansar. Podemos conversar no sábado quando fores ao casamento.
Cate - Não, temos uma reunião agora depois do almoço, querido. Não quero que me voltes a pregar a partida que acabaste de fazer: criar o slogan em pleno palco.
Oliver - Esqueci-me completamente de consultar a minha querida chefe de campanha. Desculpa!
Cate - Estás desculpado. Vemo-nos mais tarde.

Depois de me despedir do tio Isaac, saí acompanhado da Lauren e da Ruby. Fomos para o carro e regressamos ao palácio. Quando chegamos fomos diretamente almoçar. Tive alguns míseros minutos de descanso. Depois do almoço, que até soube bem, mas o Riley pediu para ir à sala de reunião onde já estavam reunidos. Sentei-me ao lado da Lauren, Riley e Cate à nossa frente.
Cate - Olá, outra vez!
Oliver - Olá, acho que vou considerar-te uma perseguidora.
Cate - Podes ter a certeza que até eu colocar-te na cadeira de Presidente vou ser a tua perseguidora.
Riley - Temos pouco tempo. Precisamos de nos mexer rápido. A Cate vai fazer algumas perguntas, antes de traçarmos planos.
Oliver - Estou pronto!
Cate - Tens namorada?
Oliver - Eu vou casar sábado, não sei se te lembras.
Cate - Exato, é verdade! Vou reformular a pergunta. Há alguma namorada que saiu magoada da relação?
Oliver - Só namorei uma mulher, durante a faculdade. Ela acabou comigo quando voltou para a China por isso não ficou magoada.
Cate - Alguém te odeia ao ponto de estragar a tua candidatura?
Oliver - Talvez o pessoal da procuradoria de Londres. Eu venci todos os casos contra eles.
Cate - Tudo que me estás a dizer eu já sei. Aparece na internet. Tu és muito perfeitinho e isso não é bom. Precisamos de lançar qualquer escândalo teu antes que os adversários inventem qualquer coisa. O povo não gosta dos perfeitinhos.
Oliver - Sinceramente não sei o que te dizer.
Lauren - Mas eu sei do que precisamos. Ninguém sabe melhor os teus segredos do que eu.
Cate - Por favor, dá-me qualquer coisa sobre esse homem.
Lauren - Aqui o nosso querido candidato, tinha uma vida bastante boémia. Na segunda-feira, dormia com a Jordana Darvin, uma modelo da Victoria Secret’s; terça dormia com a Natacha Wosniak, modelo russa; quarta dormia a Jessica Thompson, campeã olímpica do heptatlo dos Jogos Olímpicos de Londres; quinta dormia com Sahat Oria, cantora e apresentadora; e sexta-feira ia para Paris caçar mais mulheres nas discotecas chiques da cidade.
Cate - É disso que eu estava a precisar. Homens têm sempre vício em mulheres.
Oliver - Obrigado, Lauren!
Lauren - Eu adoro-te, querido!
Riley - Na próxima semana depois de anunciarmos a candidatura, o país todo saberá disso e tu vais dar uma entrevista a declarares-te à tua mulher a dizer que aquilo era no passado e que agora és um homem mudado e bem casado. Vou tentar incluir a tua futura mulher na entrevista para te dar apoio.
Cate - Não vais tentar. Quero a Lisa nessa entrevista, Riley!
Riley - Assim será!
Cate - Agora precisamos de definir as tuas propostas.
Oliver - Desde o dia em que me coube essa missão de se candidatar que tracei aquilo que quero e não mudarei nenhuma linha, porque são coisas em que acredito.
Cate - Tu és o chefe. Diz-nos o plano, então.
Oliver - A minha lista é simples: quero promover o aumento da natalidade, acabar com os conflitos religiosos, colocar o país como uma das potências mundiais e afirmar o país como a potência número 1 de África, fortalecer alianças com países parceiros, aumentar a produção e a exportação de peixe, sediar a união africana, provar o casamento e a adoção por parte de casais homossexuais, aprovação da lei do aborto e fortalecer a política externa com mais embaixadas e consulados.
Cate - Desde que estamos aqui sentados esse foi o único momento em que vi um político em ti e um politico dos bons. Parabéns! Acho que essas propostas são fantásticas.
Oliver - Sei que vai ser díficil e ainda bem porque fácil não tem piada.
Cate - Tens razão! Agora qual é o lugar onde queres fazer o discurso de candidatura?
Oliver - Memorial City, sem dúvida nenhuma!
Cate - Muito bem! Vou falar com o governador Amilcar. Sei que ele foi o teu melhor amigo, por isso vai ser fácil conseguir ajuda dele. Vou entretanto ligar para ele. Amanhã vou mandar cá bem cedo os fotógrafos para fazerem fotos tuas para a campanha. Quero a senhora Lisa aqui também para fazer as fotos. Precisas de fazer o discurso com o Aram e uma lista de convidados de honra para o discurso de candidatura.
Oliver - Riley, trata dos convidados.
Cate - Lauren, a tua missão é ajudar o Oliver a escolher quem vai ser o candidato a vice-Presidente. Precisa ser alguém forte e bastante conhecido para dar uma boa ajuda.
Lauren - Deixa comigo que eu trato disso.
Cate - Por agora é tudo. Vou ver se o governador Amilcar ainda está na cidade. Beijinhos e bom trabalho!
Oliver – Adeus!
Respirei fundo, de alívio, na esperança de ter algum descanso agora, mas foi por pouco tempo.
Riley - Chegou o momento de dar-te uma novidade.
Oliver - Diz logo.
Riley - Em 2008 começou a construção do que chamamos a nossa versão da Casa Branca. Ela ficou pronta no ano passado, só que ainda não foi inaugurada porque o primeiro Presidente a viver nela será aquele que vencer essas eleições. O complexo chama-se Thomas Village e decidimos que vamos inaugurar antes das eleições.
Oliver - Quando é que estão a pensar em fazer isso?
Riley - O meu pai quer fazer uma viagem de férias e como ele é o atual Presidente achamos melhor vocês os dois inaugurarem o complexo. Por isso estamos a pensar em fazer isso daqui a uma semana e meia.
Oliver - Por mim, tudo bem!
Riley - Amanhã vamos às compras. Precisas de escolher o fato para o casamento. Não saias daqui que dentro de instantes vão vir ler o testamento do tio e esqueci de te dizer: a Lisa e a família vem cá jantar hoje.
Oliver - Lá se foi o meu descanso. Bem que podiam avisar-me antes.
Riley - A Ruby mandou mensagem há minutos a dizer isso.
Oliver - Que saudades da minha antiga vida!
Lauren - Não sejas lamechas.
Entraram a Ruby, a minha mãe e o advogado da família na sala. Não estou muito interessado em descobrir o que vem no testamento, mas tento demonstrar algum interesse. A Lauren deu-me um beijo de boa sorte e retirou-se.
Advogado - O doutor Jacó não teve tempo de fazer um testamento completamente escrito. Apenas conseguiu dizer-me como se vão dividir os bens que passarei a citar, assim que estiverem prontos.
Ruby - Estamos mesmo com muita pressa, por isso, pode começar.
Advogado - Sendo assim, o doutor Jacó tinha uma fortuna avaliada em 18 bilhões de dólares, que será dividida por igual pela viúva e pelos dois filhos, ficando cada um com 6 bilhões de dolares. O palácio continuará a ser a residência da família e nunca poderá ser vendida. A casa de Londres ficará em nome da Sarah e do Elliot para quando eles forem estudar para Londres. E fez um pedido destinado ao Oliver. O doutor pede que o seu primeiro filho se chame Jacó em homenagem a ele. É tudo!
Abigail - Obrigada, doutor! Eu acompanho-o até à saída.
Instalou-se um breve silêncio na sala e para quebrar o gelo, a Ruby gozou:
Ruby - Pelo menos não te pediu para dares um nome feio ao teu filho.
Oliver - Ele tinha bom gosto.
Ruby - Óbvio que tinha! Graças a ele nós somos maravilhosos e por falar nisso... precisamos de nos arranjar. A Lisa e a família devem estar a chegar.
Oliver - Ainda não me preparei mentalmente para isso.
Ruby - Anda lá! Põe-te bem disposto, por favor.
Oliver - Depois de um bom banho fico como novo e com um sorriso de orelha a orelha.
Ruby - É esse o espírito. Mandei colocarem as tuas coisas numa suíte maior no terceiro andar, porque a Lisa vai passar a morar aqui a partir de hoje e se queremos mostrar que isso é real, os empregados precisam de ver que vocês estão no mesmo quarto e que são um casal de verdade.
Oliver - Era só isso que me faltava. Acabei de perder toda a privacidade que me restava.
Ruby - Eu sei que isso vai ser constrangedor para vocês os dois, mas é mesmo necessário. Por favor, entende!
Oliver - Que assim seja! Acompanhas-me até ao nosso quarto?
Ruby - Com muito gosto. Vamos!
Subimos até ao terceiro andar e bem no fundo do corredor estava a porta da suíte. A Ruby deixou-me entrar sozinho e foi preparar-se.

A suíte é um duplex que abrange o terceiro e o quarto andar, com 99 metros quadrados, com vista impressionante para a cidade. A sala no terceiro andar, completamente contemporâneo, com vista panorâmica da cidade. É equipado com Bose Dome, Home Cinema e para completar tem ao lado uma pequena sala de refeições. Tem também duas televisões de 46 polegadas, uma PlayStation e um bar. No quarto andar é o quarto de casal, com uma mistura das cores bege e cinza e com pequenos detalhes de azul, dando a harmonia que o quarto precisava. A casa de banho, com uma banheira grande, caixa de som e seleção de banhos orgânicas. Fiquei alguns minutos a admirar a beleza desse lugar. Tomei o meu banho, sem muito entusiasmo.

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