Avançar para o conteúdo principal

Cartas de Amor a Jacinta #3


Coimbra, 23 de fevereiro de 2002.
Minha Jacy,
Escrevo-te hoje, mais esperançoso que nunca. Acabo de receber a notícia da morte do velho Savimbi, o que se traduz na chegada da paz, essa paz que tanto desejávamos. É melhor parar por aqui senão farei dessa carta um manifesto democrático, já sabes como sou.
A falta que sinto das tuas respostas às minhas últimas cartas não passaram despercebidas, mas entendo que deve estar a ser uma loucura com os acontecimentos que se vivem aí na capital.
Confesso que me preocupa esse silêncio, mas o fogo que carrego dentro de mim, ainda a ti pertence e espero obter alguma resposta tua em breve.
Aproveita e escreve-me sobre ti, fala-me de como estás, de como tem corrido o trabalho, de como tem sido os dias sem mim, faz-me sentir que ainda sou especial para ti e que sentes a minha falta.
Vais desculpar-me a franqueza, mas dá-me um sinal de que ainda queres e de que vale a pena continuar a pensar em ti e a morrer de ansiedade para voltar a ver-te. Sabíamos que não seria fácil e sabíamos dos obstáculos que teríamos de enfrentar, mas se as chamas que carregavas no teu peito cessou, diz-me por favor.

Do teu chatinho,
José.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

«A Seleção»: Episódio 1 - «As Escolhidas»

    Novo episódio, todas as sextas-feiras, às 19h Acordo com forte entrada de raios de sol no meu quarto e assim que abri lentamente os olhos percebi que o Dario tinha aberto as elegantes cortinas brancas do Kimpton Epic Hotel, em Miami. Ainda a tentar abrir os olhos, virei-me para ele e disse: Kevin - Que merda é essa que estás a tentar fazer? Dario - Anda lá, Kevin! Abre a pestana! Pega no telemóvel e vê o que está a acontecer! Kevin - Eu vejo depois. Dario - Nós estamos a deixar a internet louca! No Twitter, só se fala de ti. Querem todas inscrever-se para o concurso. Kevin - A sério? Deixa-me ver isso! Agora… STOP! (não se esqueçam onde parei!). Vamos voltar um pouco atrás para perceberem porque estou eu em Miami e quem sou eu. Como sabem, o meu nome é Kevin, ou melhor, Kevin Ellis. Tenho 27 anos e sou nada mais nada menos que um dos bilionários mais jovens do mundo e o mais famoso. O meu pai foi o quinto homem mais rico do mundo em 2010, mas o ‘...

«A Rainha Ginga»/«Queen Ginga», José Eduardo Agualusa

PT (Português)   Texto da autoria de Pedro Bento (Line of Words) Dona Ana de Sousa, também conhecida como Ngola Ana Nzinga Mbande, Rainha N'Ginga, Rainha Ginga, rainha Nzinga, Nzinga I, rainha Nzinga Ndongo, Nzinga Mbandi, Nzinga Mbande, Jinga, Singa, Zhinga, Ginga, Ana Nzinga, Ngola Nzinga, Nzinga de Matamba, rainha Nzingha de Ndongo, Ann Nzingha, Nxingha e Mbande Ana Nzingha. Pela quantidade de nomes é visível que não se trata de uma mulher qualquer. Dona Ana de Sousa de nome de batismo ou Rainha Ginga foi rainha dos reinos do Ndongo e de Matamba no conturbado período histórico do século XVII. Entre inimigos e aliados, Ginga conquistava territórios sem limites. “Quanto maior um rei, menor lhe parece o mundo” - Rei Ginga, como exigia que fosse chamada profanou a famosa frase. Após tão fraca introdução desta valente e conquistadora Mulher, vou então vos contar o que achei de mais uma obra-prima do grande escritor angolano José Eduardo Agualusa. Ainda o fim se avizinhava, ...

Cartas de Amor a Jacinta #5

Coimbra, 30 de abril de 2003 Jacinta, Para presenteares-me com o teu desprezo e provar a minha insignificância, não precisavas de dar-te o trabalho de escrever uma carta tão extensa e enfadonha, nem apresentar razões tão ridículas para acabares com essa história, bastava apenas seres sincera, que dói-me menos!! Se prefere outro tipo de homem, rude e desajeitado, completamente o oposto de mim, não poderei fazer nada, senão aceitar a tua escolha. Não tens obrigação e nem necessidade de me amar, por isso não adiantou-te de nada fingires tal sentimento. Quem tem consideração por alguém, não escreve cartas que parecem discursos políticos, o amor não é como eleitores que precisam ser iludidos para votarem. Porque não foste sincera comigo? Que gozo tem em fazer sofrer alguém que só lhe fez bem. Confesso que tudo isso chega a ser engraçado e devo concordar que fui o palhaço dessa comédia romântica, eu próprio ri-me disso tudo, apesar da dor que sinto. Admira-me esse prazer que t...