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O que estou a fazer?

O que estou a fazer? Estou a viver ou a sobreviver? Todas essas mentiras na minha cabeça São tão reais que parece realidade. O que estou a fazer? Será essa vida que eu quero? Estou nesse quarto escuro, a fingir ser alguém. Com medo de acender a luz e perceber que tudo isso é uma ilusão. O que estou a fazer? Como fazer as pessoas acreditarem em mim, Se eu não acredito em mim mesmo. O que estou a fazer? Quando será que vou acordar e perceber que eu sou uma mentira, Quantas mentiras preciso para que isso se torne uma verdade. Será que sou capaz? O que estou a fazer? Eu não preciso de muito amor, Eu só preciso da luz.     Imagem retirada de https://recolocacaoprofissional.com/desemprego-estou-desanimado-o-que-fazer-para-mudar-isso/
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Black Lives Matter, o movimento de que todos falam (e eu também)

Sou angolano. Não precisava de escrever isto para me identificar, mas assim já sabem o meu tom de pele, do qual sou imensamente orgulhoso (e não estou a ser racista com os brancos). Sempre lidei bem com o preto da minha cara, dos meus braços, do meu tronco, das minhas mãos, dos meus pés, das minhas pernas. Não me venham com o "castanho"... preto é preto! Sei que essa teoria do "castanho" é para não ofender o visado, mas acaba por ser pior esse preconceito do "castanho". Nós, africanos, sempre ouvimos a palavra "preto" e relativizar não vale a pena. Mas atenção: não há razão para chamar "preto" ou "castanho". Cada pessoa recebe um nome à nascença. Se não sabes, pergunta. "Preto" é associado a racismo e esse tema está tão em voga nos últimos tempos. Começou com George Floyd. Mais um negro que é morto pela polícia na América, algo que já se torna frequente desde Martim Luther King - "I have a dream", lem...

... Da mulher que um dia amaste...

Acho que chegou o momento de ser honesta... deveria ter-te impedido de partires... eu apenas não sabia o que queria, nem sequer conhecia os meus sentimentos. Não tinha a noção do quão feliz seria aí a teu lado, mas se for tarde demais, apenas desejo que sejas feliz, que estejas com alguém que te ame como eu nunca tive coragem de amar e que faças dela a mulher que me farias. Da mulher que um dia amaste, Jacinta.

Cartas de Amor a Jacinta #5

Coimbra, 30 de abril de 2003 Jacinta, Para presenteares-me com o teu desprezo e provar a minha insignificância, não precisavas de dar-te o trabalho de escrever uma carta tão extensa e enfadonha, nem apresentar razões tão ridículas para acabares com essa história, bastava apenas seres sincera, que dói-me menos!! Se prefere outro tipo de homem, rude e desajeitado, completamente o oposto de mim, não poderei fazer nada, senão aceitar a tua escolha. Não tens obrigação e nem necessidade de me amar, por isso não adiantou-te de nada fingires tal sentimento. Quem tem consideração por alguém, não escreve cartas que parecem discursos políticos, o amor não é como eleitores que precisam ser iludidos para votarem. Porque não foste sincera comigo? Que gozo tem em fazer sofrer alguém que só lhe fez bem. Confesso que tudo isso chega a ser engraçado e devo concordar que fui o palhaço dessa comédia romântica, eu próprio ri-me disso tudo, apesar da dor que sinto. Admira-me esse prazer que t...

Cartas de Amor a Jacinta #4

                                                                                                       Coimbra, 29 de março de 2003. Jacinta, meu amor: Carrego no meu peito algo que se releva a cada manifestação tua. Só eu e Deus sabemos a tamanha dor que sinto no meu peito a cada lembrança que tenho de ti, a cada sonho, a cada letra que vejo do teu nome. Essa dor que não vejo, apenas sinto. Essa dor que me deixa sem palavras e me faz rir feito parvo no meio da rua. Essa dor que me...

Cartas de Amor a Jacinta #3

Coimbra, 23 de fevereiro de 2002. Minha Jacy, Escrevo-te hoje, mais esperançoso que nunca. Acabo de receber a notícia da morte do velho Savimbi, o que se traduz na chegada da paz, essa paz que tanto desejávamos. É melhor parar por aqui senão farei dessa carta um manifesto democrático, já sabes como sou. A falta que sinto das tuas respostas às minhas últimas cartas não passaram despercebidas, mas entendo que deve estar a ser uma loucura com os acontecimentos que se vivem aí na capital. Confesso que me preocupa esse silêncio, mas o fogo que carrego dentro de mim, ainda a ti pertence e espero obter alguma resposta tua em breve. Aproveita e escreve-me sobre ti, fala-me de como estás, de como tem corrido o trabalho, de como tem sido os dias sem mim, faz-me sentir que ainda sou especial para ti e que sentes a minha falta. Vais desculpar-me a franqueza, mas dá-me um sinal de que ainda queres e de que vale a pena continuar a pensar em ti e a morrer de ansiedade para voltar a ver-te...

Cartas de Amor a Jacinta #2

Coimbra, 4 de fevereiro de 2001. Jacinta, meu amor, Hoje encontro-me esperançoso, como se uma força da natureza apoderasse de mim. Acreditas que estava a caminho de casa a sorrir feito tolo e fui parado por uma velhota na Praça da República. Quis saber o motivo de tamanha felicidade e então comecei a falar de ti, dos teus olhos rasgados e do teu sorriso largo e vivo, das tuas covinhas de menina e como tudo isso te faz parecer a mulher mais feliz e bonita do planeta. Vi nos olhos da velhota uma alegria e esperança no nosso amor que pedi-lhe o guardanapo que ela carregava e estou aqui a escrever nele essa carta. Lembro-me do primeiro dia que te vi, tu a andares de um lado para o outro no quintal da tua tia, e lembrei-me que nunca te disse que tens um andar de menina cansada depois de brincar no recreio e andar sem vontade para a sala de aulas. Quero contar-te que, hoje ao almoço, enchi-me de coragem e provei fígado - Deus me livre que nunca mais volto a comer, sei que ador...