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Mensagens

A mostrar mensagens de janeiro, 2020

Cartas de Amor a Jacinta #3

Coimbra, 23 de fevereiro de 2002. Minha Jacy, Escrevo-te hoje, mais esperançoso que nunca. Acabo de receber a notícia da morte do velho Savimbi, o que se traduz na chegada da paz, essa paz que tanto desejávamos. É melhor parar por aqui senão farei dessa carta um manifesto democrático, já sabes como sou. A falta que sinto das tuas respostas às minhas últimas cartas não passaram despercebidas, mas entendo que deve estar a ser uma loucura com os acontecimentos que se vivem aí na capital. Confesso que me preocupa esse silêncio, mas o fogo que carrego dentro de mim, ainda a ti pertence e espero obter alguma resposta tua em breve. Aproveita e escreve-me sobre ti, fala-me de como estás, de como tem corrido o trabalho, de como tem sido os dias sem mim, faz-me sentir que ainda sou especial para ti e que sentes a minha falta. Vais desculpar-me a franqueza, mas dá-me um sinal de que ainda queres e de que vale a pena continuar a pensar em ti e a morrer de ansiedade para voltar a ver-te...

Cartas de Amor a Jacinta #2

Coimbra, 4 de fevereiro de 2001. Jacinta, meu amor, Hoje encontro-me esperançoso, como se uma força da natureza apoderasse de mim. Acreditas que estava a caminho de casa a sorrir feito tolo e fui parado por uma velhota na Praça da República. Quis saber o motivo de tamanha felicidade e então comecei a falar de ti, dos teus olhos rasgados e do teu sorriso largo e vivo, das tuas covinhas de menina e como tudo isso te faz parecer a mulher mais feliz e bonita do planeta. Vi nos olhos da velhota uma alegria e esperança no nosso amor que pedi-lhe o guardanapo que ela carregava e estou aqui a escrever nele essa carta. Lembro-me do primeiro dia que te vi, tu a andares de um lado para o outro no quintal da tua tia, e lembrei-me que nunca te disse que tens um andar de menina cansada depois de brincar no recreio e andar sem vontade para a sala de aulas. Quero contar-te que, hoje ao almoço, enchi-me de coragem e provei fígado - Deus me livre que nunca mais volto a comer, sei que ador...

Cartas de Amor a Jacinta #1

  Coimbra, 15 de janeiro de 2000. “Todas as cartas de amor são ridículas”, Fernando Pessoa.   Então, hoje passo a ser ridículo. Sentado à beira do Mondego, observo as correntes do rio passar, como o teu último sorriso que tive o privilégio de ver. Nem o frio de inverno tem sido capaz de congelar esse coração que a ti pertence. Acabo de ler a tua última carta e confesso que adoraria estar aí, em Luanda, mas bem sabes que a missão que me trouxe a terras de Camões, serão benéficas para nós. Como não tenho muito tempo, apenas quero lembrar-te que me encontro doente de amor por ti e que, ontem à noite, sofri um ataque de pânico, pois o meu cérebro pensava em ti como se estivesses ali, à minha frente, com vontade de ver-te, ouvir-te, sentir o teu toque. que Mas não é razão de preocupação. A tua carta que recebi esta manhã aliviou. Nem sinto tamanho aperto no peito. Aguardo ansiosamente a tua resposta e prometo escrever-te em breve.   Do teu amor de longe, José...