Coimbra, 23 de fevereiro de 2002. Minha Jacy, Escrevo-te hoje, mais esperançoso que nunca. Acabo de receber a notícia da morte do velho Savimbi, o que se traduz na chegada da paz, essa paz que tanto desejávamos. É melhor parar por aqui senão farei dessa carta um manifesto democrático, já sabes como sou. A falta que sinto das tuas respostas às minhas últimas cartas não passaram despercebidas, mas entendo que deve estar a ser uma loucura com os acontecimentos que se vivem aí na capital. Confesso que me preocupa esse silêncio, mas o fogo que carrego dentro de mim, ainda a ti pertence e espero obter alguma resposta tua em breve. Aproveita e escreve-me sobre ti, fala-me de como estás, de como tem corrido o trabalho, de como tem sido os dias sem mim, faz-me sentir que ainda sou especial para ti e que sentes a minha falta. Vais desculpar-me a franqueza, mas dá-me um sinal de que ainda queres e de que vale a pena continuar a pensar em ti e a morrer de ansiedade para voltar a ver-te...
Linhas de Palavras