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«A Seleção»: Episódio 9 - «This is the End» (Penúltimo)

 
Depois de uma hora de conversa e brincadeiras com a Tiwa, fomos chamados para o almoço e já depois de todos se terem sentado, o Presidente Diarra tomou a palavra.
Presidente - Queria agradecer ao Kevin pela ajuda que nos deu e queria também dar as boas-vindas à nossa família. Temos muito gosto em tê-lo aqui.
Kevin - Muito obrigado a todos por me receberem tão bem.
Com um brinde selámos o momento. O Obi fez-me um sinal de agradecimento e sorri para ele e começámos a comer. Logo após o almoço, o presidente e o Obi saíram do palácio. Havia rumores de que Abuja poderia ser alvo de um ataque dos rebeldes que atacaram nessa manhã a cidade de Jos, a norte de Abuja. Fiquei mais duas horas no palácio e tive que regressar para o hotel. A Alika acompanhou-me até ao carro.
Alika - Estás bem?
Kevin - Sim.
Alika - Parece que ele já gosta de ti!
Kevin - Gostar, acho que não, mas já amoleceu um pouco.
Alika - Ele apenas está na defensiva. Desde ontem que cá estou e já descobri coisas horríveis. A Tiwa já não vai à escola, a Mercy deixou a universidade e tudo isso por medo. Os rebeldes estão a aproximar-se. O meu pai tem medo, o único lugar onde existe segrança é aqui dentro do palácio e não sei até quando será seguro. Sinto-me mal por ter simplesmente ignorado eles enquanto passam essas dificuldades.
kevin - Isso não é culpa tua! Relaxa, que vamos dar um jeito nisso. Eu ajudo-te no que precisares.
Alika - Obrigada! Tu és um amor!
Kevin - Agora preciso de ir. Ligaram do hotel e parecia urgente.
Alika - Ok, volta logo.
Kevin - Voltarei, minha querida.
Assim que entrei no carro, o Alex avisou-me que o Obi mandou aumentarem a nossa segurança de regresso ao hotel. Saímos numa coluna de três carros. Eu, o Alex e o Walker íamos no meio e a sensivelmente 15 quilómetros depois de deixarmos o palácio, muito repentinamente o primeiro carro explodiu. O motorista no meu carro conseguiu travar a tempo antes de levar um tiro na cabeça. O walker abriu a porta do carro e começou a disparar. Enquanto o Alex tentava tirar-me do carro, o carro atrás de nosso também explodiu, matando todos os seguranças que restavam. O Walker e o Alex resistiram o máximo que podiam, mas ficaram sem balas e tivemos que nos render aos rebeldes encapuçados e que nos atiraram para um carro, onde acabei por perder os sentidos. Assim que abri os olhos, mal conseguia ver com tanta luz que havia. Ninguém estava na sala além de mim. Levantei a cabeça e tinha uma televisão à minha frente com um comando ao meu lado, não resisti e liguei-a.
Channels TV - Boa noite! Hoje à tarde, os rebeldes fizeram-se notar novamente, depois dos ataques a Jos. Os rebeldes sequestraram o bilionário americano Kevin Ellis, que viajou até ao país a convite do presidente Diarra. Segundo apurou a nossa redação, Kevin Ellis saiu do palácio acompanhado de dois carros com militares, que foram ambos explodidos. Kevin Ellis foi o único a sair com vida do local, segundo a nossa fonte dentro do palácio. Aguardamos ansiosamente por mais informações.
Assim que terminou, entrou um homem na sala, puxou uma cadeira e sentou-se à minha frente.
Buhari - Boa noite, Kevin! O meu nome é Salan Burahi!
Kevin - Porque estou aqui?
Buhari - Nós precisamos da sua ajuda.
Kevin - Eu não o conheço! Como acha que poderei ajudá-lo?
Buhari - Eu sou o presidente da Força Popular Libertista da Nigéria.
Kevin - Então tu és o comandante das atrocidades dos rebeldes?!?
Buhari - Aí é que te enganas. Nunca matámos o povo. Defendemos o povo matando aqueles que defendem o ditador. Existem dois tipos de rebeldes, aqueles que se aproveitam da situação do país para fazerem o mal e nós que lutamos por um país melhor.
Kevin - Como irei ajudar-vos?
Buhari - Precisamos que convença o presidente a renunciar o cargo. Caso contrário, teremos que avançar com um golpe de estado.
Kevin - Isso vai ser um tiro no escuro.
Entraram dois homens brancos na sala, muito bem apresentados.
John - O meu nome é John Keen, sou embaixador dos Estados Unidos aqui na Nigéria e este senhor é o Will Meyer, representante da ONU. Penso que o Buhari já lhe falou do nosso propósito.
Kevin - Já falou, sim.
John - Há meses que temos escutas no palácio. Assim que soubemos que estava cá. Não tivemos dúvida de que poderia ajudar-nos.
Kevin - Eu vou tentar convencê-lo, mas não quero fazer parte de nenhum golpe de estado.
John - Está bem. Ficas com o meu número, assim que puderes liga-me. O Buhari irá lhe explicar como sair daqui. Foi um prazer.
Buhari - Vamos dar-lhe um sedativo. Quando acordar, estará no palácio.
Kevin - Onde estão o Alex e o Walker?
Buhari - No palácio. Não fizemos nada com eles.
Kevin - Espero que isso dê certo.
Buhari - Vai dar. Até à próxima, Kevin.
Acordei dentro de um táxi assim que entrávamos dentro do palácio. Fomos rapidamente rodeados por seguranças. A Alika passou por eles a correr e abraçou-me assim que saí do carro. Ela começou a chorar desoladamente. O Obi aproximou-se do motorista do táxi perguntando quem ele era. O pobre coitado apenas respondeu que havia me encontrado dentro do carro dele com um bilhete onde tinha a morada do palácio. O Obi deu-lhe dinheiro e pediu para se retirar. A Alika não parava de chorar e continuava abraçada a mim.
Kevin - Está tudo bem! Estou aqui!
Alika - Eu pensei que nunca mais voltaria a ver-te!
Kevin - Não te livras assim tão fácil de mim, querida.
Alika - Parvo!
Kevin - Preciso que te recomponhas. Tenho que falar com o teu pai e já vou ter contigo.
Alika - Está bem, vou tentar.
Caminhei com o Obi até ao escritório, onde o presidente Diarra já aguardava impaciente.
Presidente - Quem fez isso consigo?
Kevin - Salan Buhari!
Presidente - Não é possível! O Buhari está morto. Eu próprio o matei!
Kevin - Parece que não, porque tive uma conversa com ele e não me pareceu morto...
Presidente - Como é que esse filho da puta está vivo? Obi, eu quero tropas à procura desse desgraçado, agora!
Obi - Sim, senhor!
Kevin - A minha vida esteve em perigo e eu nem sei quem é esse Salan Buhari.
Presidente - O nome dele verdadeiro é Romaric Yakubu. Ele é o irmão mais velho da minha mulher. Foi o meu braço direito até tentar passar-me a perna.
Kevin - Oh, isso está melhor do que eu esperava.
Presidente - Cuidado com o que diz! Está na minha casa e preciso que diga logo o que conversou com aquele lixo!
Kevin - O senhor precisa de renunciar a presidência ou preparar-se para uma guerra.
Presidente - Eu não vou deixar a presidência e não haverá guerra, porque eu vou matá-lo antes que isso aconteça.
Kevin - Páre de ser egocêntrico e egoísta! Páre de ser esse monstro de que todos têm que temer! Pense na sua familia, nas suas filhas! O que pode acontecer se houver guerra, como eles vão sobreviver?!?
Presidente - A última pessoa que gritou comigo morreu antes mesmo de poder dizer "desculpa".
Kevin - Eu já disse que não gosto de ameaças. Se quiser matar-me, força! Mas uma coisa lhe digo: não vai durar muito tempo nesse cargo.
Presidente - Saía da minha casa agora! Vá-se embora e não volte! Não quero ver a sua cara nunca mais!
Kevin - Um dia irá pedir-me desculpa, senhor presidente, e dizer que eu tinha razão.
Presidente - Saía daqui antes que lhe dê um tiro!
Kevin - Eu vou, mas primeiro vou despedir-me da minha namorada.
Fui até ao quarto da Alika para despedir-me e contar tudo que aconteceu.
Kevin - Temos apenas cinco minutos. O teu pai expulsou-me do palácio.
Alika - O que aconteceu?
Kevin - A ONU, o embaixador americano e o teu tio Buhari estão a preparar um golpe de estado. Pediram-me para convencer o teu pai a renunciar, mas ele não gostou muito da ideia e expulsou-me daqui.
Alika - O meu tio está vivo?
Kevin - Sim! O teu tio anda a tentar tirar o teu pai do poder. Presta bem atenção: eu vou para a embaixada, que é o lugar mais seguro. Preciso que fales com a tua mãe e os teus irmãos e que preparem uma pequena mala apenas com o importante. Eu vou tentar tirar-vos do país nas próximas horas, antes que invadam o palácio.
Alika - E se não resultar, Kevin?
Kevin - Vai resultar! Eu confio em ti e tu precisas de confiar em mim. Vou mandar-te uma mensagem com um local seguro onde o Obi tem que se encontar comigo mais logo. Diz-lhe para ir sozinho.
Alika - Está bem! Vai com cuidado!
Kevin - Cuida-te, gostosa!
Alika - Até já, parvo!
Acompanhado por Walker e Alex, fomos para a embaixada. No caminho liguei para o John a avisar que estava a chegar.
John - Conte-me tudo!
Kevin - Ele recusou! Eu quero ajudar no golpe de estado, mas com uma condição.
John - O que quer?
Kevin - Dá-me 48 horas para tirar todos eles do país. Preciso que eles recebam logo uma residência americana e quero que apaguem todas as informações que liguem eles ao Presidente.
John - Considere tudo isso feito!
Kevin - Quero tudo isso por escrito e quero mais uma coisa!
John - O quê?
Kevin - Quero que ele seja capturado vivo e que seja julgado por tudo que fez num tribunal internacional.
John - Vou falar com o Buhari sobre isso. Da minha parte, sem problema!
Kevin - Vou ligar para a América e mandar vir o avião.
John - Avisarei a nossa base em Minna que o avião vai aterrar lá e vou mandar prepararem os carros blindados para levá-lo até lá. Pode usar o meu escritório. Sinta-se à vontade!
Kevin - Obrigado!
Sentei na secretária de John e, pela primeira vez, nesse dia, respirei fundo e tentei relaxar. Para ajudar bebi o uísque que o John tinha no escritório e liguei para a Jane.
Jane - Olá!
Kevin - Olá, Jane! É o Kevin!
Jane - Graças a Deus que ligaste! O que está a acontecer? Dizem que foste sequestrado...
Kevin - Eu estou bem! Nas próximas horas haverá um golpe de estado aqui. Preciso que mandes o Lord até à base americana em Minna.
Jane - Kevin, desde que teu pai morreu que ninguém entra no Lord.
Kevin - Eu sei, mas é o maior avião que nós temos e ninguém se lembra dele. Preciso de tirar a família da Alika daqui em 48 horas.
Jane - Está bem, vou já tratar disso.
Kevin - Preciso que fales com a minha família e que venhas com eles para o Dubai que eu vou lá ter com vocês.
Jane - Porquê?
Kevin - Quero pedir a Alika em casamento lá e preciso de vocês!
Jane - Tens a certeza que é o momento certo?
Kevin - Sim! Se nos casarmos, ninguém vai ficar a falar do pai dela.
Jane - Tens razão! Vou falar com todos e partimos amanhã. O que precisas que faça?
Kevin - No cofre do meu quarto, tem um anel que o meu avô me deu antes de morrer. Manda limpar e trá-lo.
Jane - Ok, mais alguma coisa?
Kevin - Vou mandar-te um email com tudo o que precisas para preparar para o pedido de casamento.
Jane - Vai ser o melhor pedido de casamento do mundo.
Kevin - Assim espero que seja. Agora preciso de ir. Tenho um ditador para tirar do poder.
Jane - Cuida-te, por favor!
Kevin - Não te preocupes! Adoro-te!
Jane - Adoro-te!
Mandei mensagem para a Alika avisar o Obi que espero por ele no Abuja National Stadium. Não demorou muito para o Obi chegar.
Obi - Este é o meu lugar favorito!
Kevin - Eu sei! Fiz o meu trabalho de casa.
Obi - O meu maior sonho é dar um espetáculo aqui!
Kevin - Vais dar porque estou a pensar em contratar-te para a Ellis Record.
Obi - Não sei se vou estar vivo para isso. A qualquer momento podemos ser atacados.
Kevin - Temos no máximo 48 horas para deixar Abuja. Preciso que arranjes uma maneira de tirar a tua mãe e as tuas irmãs do palácio sem o teu pai saber.
Obi - O meu pai tem amanhã uma reunião às 14 horas, fora do palácio. Acho que é o momento ideal para saírmos.
Kevin - Os seguranças vão deixar-vos saírem?
Obi - Há uma saída secreta através do escritório do meu pai.
Kevin - Ótimo! Então assim que conseguirem sair, venham até aqui ao estádio.
Obi - Vão matá-lo?
Kevin - Fiz um acordo para deixarem-no vivo. Vai ser julgado num tribunal internancional.
Obi - Obrigado!
Kevin - Agradece-me depois de sairmos daqui! Agora vamos que está a amanhecer.
Obi - Até já!
Voltei para a Embaixada e não via a hora de sair do país. Por volta do meio-dia, o John veio ter comigo atordoado.
John - Temos um problema! O avião não pode aterrar em Minna. O exército está por perto da base.
Kevin - Pensei que tínhamos controlado o exército.
John - Esses são um pequeno exército que o presidente tinha e ninguém sabia.
Kevin - Se não estou errado, o avião deve ter mais ou menos duas horas de combustível.
John - Eu sei e se concordar, mandamos pousar em Banyo, nos Camarões, e saímos daqui de carro até lá.
Kevin - Quantas horas de viagem?
John - Aproximadamente 14 horas!
Kevin - Isso é muito arriscado! O Presidente vai sentir a ausência da família antes mesmo de sairmos do território nigeriano.
John - Para evitar esse risco, temos que atacar o palácio o mais rápido possível após a saída deles.
Kevin - O presidente volta para o palácio por volta das 15 horas, por isso, acho que seria a hora ideal!
John - Avançamos?
Kevin - Sim, claro!
Perto das 14 horas, chegámos ao estádio, onde a Alika e a família virão ter connosco. O Buhari chamou-me à parte para uma pequena conversa antes de se ir embora para se juntar ao exército que invadira o palácio em poucos minutos.
Buhari - Obrigado, Kevin! O que está prestes a fazer vai mudar a história de um povo e você vai fazer parte dela!
Kevin - Estou a fazer isso pela família da mulher que eu amo!
Buhari - Eu também sou da família. Por isso agradeço-lhe pelo que está a fazer...
Kevin - Qual é a sensação de estar morto sem morrer?
Buhari - A melhor do mundo! Podemos fazer o que quisermos sem sermos notados. Foi dessa maneira que consegui reunir tudo isso para fazer esse golpe de estado. Durante mais de 15 anos, fui vice-presidente daquele homem e só aguentei tanto por causa da minha irmã e dos meus sobrinhos.
Kevin - Fique mais um pouco até eles chegarem. Acho que vão gostar de vê-lo.
Buhari - Não posso! Os meus soldados precisam de mim e teremos outras oportunidades de nos vermos.
Kevin - Eu vou pedir a Alika em casamento!
Buhari - Se ela for a rapariga inteligente que sempre foi, irá sem dúvidas nenhumas, aceitar e espero ser convidado para o casamento!
Kevin - Será convidado, com certeza.
Buhari - Sei que falou com o John para capturarmos o Diarra com vida. Quero que fique descansado que não tenciono matá-lo. Quero que ele pague pelos seus crimes.
Kevin - Obrigado por entender isso. Acho que, no fundo, ele é um bom homem.
Buhari - Espero que a cadeia faça-o mostrar o seu lado humano.
Kevin - Assim espero.
Buhari - Tenho de ir. A essa altura, eles já devem ter saído do palácio.
Kevin - Boa sorte, futuro presidente da Nigéria!
Buhari - Obrigado e vão com Alá!
Salam Buhari retirou-se com alguns soldados, deixando apenas os que iriam acompanhar-nos até Camarões e o John que quer garantir que tudo corra como combinado. Esperámos cerca de quarenta minutos e já passavam das 15 horas e eles ainda não tinham chegado. Começámos a ficar preocupados. Será que não conseguiram sair do palácio?
John - Em trinta minutos vão invadir o palácio. Você precisa de ir, Kevin! Se é apanhado, será morto!
Kevin - Não saio daqui sem eles! Acho que o melhor é irmos atrás deles!
John - Muito arriscado! Há militares por todos os cantos. O máximo que podemos fazer é regressar para a Embaixada que lá estamos seguros.
Kevin - Eles são nigerianos. Não os podemos pôr na embaixada americana. Vamos tentar ir ao encontro deles.
John - Não consigo falar com o Buhari. A essa altura já devem ter cortado as comunicações. Não tarda muito para cortarem a eletricidade.
Kevin - Não interessa. Vou atrás deles, queira você ou não.
John - Kevin, espera! Vamos todos!
Assim que íamos a entrar nos carros para sairmos do estádio, o Obi correu para frente do primeiro carro aos gritos para parar.
Obi - Esperem, esperem! Chegámos!
Kevin - O que aconteceu? Porque demoraram tanto?
Obi - O meu pai parece que se apercebeu e não saiu do palácio. A minha mãe teve que lhe pôr algo na bebida para conseguirmos sair.
John - Andem depressa! Entrem que não temos muito tempo!
Kevin - Obrigado por tudo, John! Espero vê-lo em breve!
John - Assim que chegarem a Banyo, tentem contactar-me. Se eu atender é porque correu tudo bem.
Kevin - Boa sorte, meu amigo!
John - Vão depressa! Até já, camarada!
A família da Alika veio toda no mesmo carro que eu. Estavam todos assustados. Eu e o Alex tentávamos acalmar todos.
Obi - Tu disseste que íamos até Minna?
Kevin - Os militares cercaram a base. Era muito arriscado irmos para lá. Por isso vamos para Banyo. São 14 horas de carro até lá e depois voamos para o Dubai.
Bianca - Será que isso vai resultar? Não tarda muito para o Diarra acordar e vai perceber que fugimos!
Kevin - Confia em mim, Bianca!
Tiwa - Mamã, o Kevin sabe o que faz. Vamos rezar para Alá nos ajudar e confia no Kevin.
Alika - Mais uma vez, obrigada!
Kevin - Não me agradeças já! Ainda não estamos fora de perigo.
Alex - Vamos manter silêncio, é melhor.
Quando passamos a cidade de Lafia, que não fica muito longe de Abuja, ouvimos vários bombardeamentos. Parámos rapidamente para abastecer numa pequena loja à beira da estrada e seguimos viagem rapidamente. Antes de chegarmos a Banyo, fizemos mais duas paragens rápidas, uma em Bassa e a última em Gembu. Já em território camaronês, por volta das 6 da manhã, estávamos a entrar na base da ONU em Banyo. Senti um alívio quando vi o Lord, avião que custou ao meu pai 1 bilhão de dólares e que era o seu brinquedo favorito. Deu umas saudades do meu pai.
Barnette - Bom dia, doutor Ellis! Sou o Comandante Barnette. A senhora Jane contratou-me.
Kevin - Bom dia, Comandante! Está tudo pronto a bordo?
Barnette - Sim, senhor! Quando quiser podemos embarcar. A senhora Jane colocou roupas limpas para todos e produtos de higiene.
Kevin - Vamos todos tomar um banho e trocar de roupa. Depois descolamos.
Barnette - Podem entrar a bordo. Tanto as duas casas de banho como as das quatro suítes estão em funcionamento.
Kevin - Obrigado, Comandante!
Entrámos a bordo. O Obi ficou numa suíte, eu e a Alika noutra, a Tiwa, a Bianca e a Mercy noutra. Tomámos todos um banho e vestimos as roupas que a Jane preparou para nós. Depois tomámos o pequeno-almoço. Antes de sairmos de Banyo, liguei para o John que me contou que correu tudo bem. O Diarra resistiu à detenção mas quando viu que não havia outro jeito entregou-se à ONU. Será transportado o mais rápido possível para um lugar seguro, onde será julgado e condenado. Salam Buhari assumiu a presidência interina até às próximas eleições que serão marcadas com a máxima urgência. Após essas notícias maravilhosas, comuniquei a todos e o Comandante descolou por volta das 10 horas da manhã. Fomos todos para as suítes para tentarmos dormir, depois de uma viagem cansativa e dolorosa.
Alika - Se eu não tivesse super cansada, fazia-te uma massagem!
Kevin - Vou cobrar essa massagem!
Alika - Está bem! Agora preciso mesmo de dormir.
Kevin - Dorme, querida!
Alika - Amo-te, Kevin!
Chegámos ao Dubai por volta das 3 da manhã. Fomos para a mansão da minha família na Emirates Hills. Foram feitas as apresentações e fomos dormir. No dia seguinte, a Jane passou o dia todo a organizar o pedido de casamento. Combinei tudo com a família da Alika, que ficaram super empolgada.
Kevin - Vamos jantar?
Alika - São 18 horas. Tu nunca jantas antes das 20.
Kevin - Hoje é um dia especial e quero levar-te a jantar num sítio especial.
Alika - Onde?
Kevin - Burj Khalifa.
Alika - Vamos lá ver o que andas a tramar...
Kevin - É só um jantar, querida.
Alika - Assim espero.
Chegámos ao 122º andar do Burj Khalifa no Restaurante Atmosphere. Todos que estavam no restaurante, além dos empregados era a minha família e a dela disfarçados de árabes. Fomos conduzidos até à nossa mesa e ela não parecia desconfiar de nada.
Alika - Isso é fantástico, Kevin! A vista daqui é incrível. Dizem que é preciso marcar com meses de antecedência.
Kevin - A Jane arranja sempre uma maneira.
Alika - A Jane é mesmo incrível!
Tudo corria na perfeição, mas inesperadamente apareceram quatro homens de etnia árabe. Um deles apontavam a arma na cabeça do Alex. O líder do grupo veio até a mim apontando a arma à cabeça e a falar em árabe. Levantei as mãos e o outro pegou a Alika pelo braço. Tentei resistir a detenção e acabei por levar um tiro no peito. O meu corpo espalhou-se pelo chão do restaurante. A Alika ajoelhou-se ao meu lado a chorar e, de repente, subiu um helicóptero com uma tela gigante e começaram a passar imagens dela e começou um pequeno vídeo.
Vídeo: Omar - A primeira vez que vi a Alika, ela estava a fazer charme às minhas obras de arte e desde aquele momento percebi que era especial.
Carolyna - A Alika conquistou-me com a sua espontaniedade e simplicidade, além de ser linda até dizer chega.
Dario - O sorriso dela é incrível. É impossível não gostar dela.
Melissa - Eu vi como os olhos do Kevin brilham quando ela está por perto. A isso chama-se amor!
Jane - Foi a primeira mulher que o Kevin olhou e não falou do corpo maravilhoso que ela tem, mas sim da mente brilhante.
Katarine - Sempre quis ter uma advogada na família. Por que não essa jovem maravilhosa que nos conquistou com apenas um sorriso?
No fim do vídeo apareceu a frase: "Queres casar comigo?". Abri os olhos e olhei para ela que estava parva a olhar para tudo aquilo. Todos tiraram os disfarçes e ficaram à espera de uma reação dela e foi quando sorriu e disse:
Alika - Eu vou matar-te!
Kevin - Mas primeiro agradecia que me respondesses à pergunta!
Alika - Óbvio que aceito casar contigo, seu parvo!
Aquilo que parecia ser um momento de terror, transformou-se numa autêntica festa. Garrafas de champanhe por todo o lado, festejámos até não conseguirmos mais. Ficámos mais três dias a aproveitar aquela linda cidade, até que o John enviou-me às residências da família da Alika e embarcamos para Nova Iorque. Assim que chegámos ao aeroporto JFK, fomos cercados pelo FBI.
Agente - Boa noite, meus senhores! Sou o agente Cameron e estamos aqui para prender a senhora Katarine Wilson Ellis pelo homicídio de Mark Ellis.
Kevin - Que história é essa?
Agente - Estamos apenas a cumprir ordens, senhor! Agradecia que facilitassem.
Katarine - Kevin, liga para o advogado. Vai correr tudo bem.
Alika - Eu represento-a, Katarine!
Mike - Tu não és americana.
Alika - Eu sou formada pela Havard, posso exercer em Nova Iorque. Senhor agente, eu vou acompanhar a minha cliente.
Agente - Sim, senhora!
A Alika pediu uma audiência perante o juiz para pedido de pagamento de fiança. Como não havia arma do crime, o juiz Alexandre Carlan aceitou o pagamento de fiança estipulado em 10 milhões de dólares, ordenando que a minha mãe não saísse do país enquanto decorre a investigação e que deve usar uma pulseira eletrónica para evitar que fugisse para outro país.

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