
Novo episódio, todas as sextas-feiras, às 19h
Olá! Boa noite a todos! Sejam bem-vindos ao segundo episódio da série «A Seleção»! Antes de começarem a ler, deixo esta breve nota para dizer que o título desse episódio - «I’ve Got a Woman» - está relacionado com o nome de uma das grandes canções de Ray Charles, que será citado durante este episódio. Espero que gostem e ouçam a música.
Hoje é o dia em que vou conhecer melhor uma das candidatas. Não sei qual será porque é escolhida aleatoriamente, mas confesso que estou bastante curioso para saber quem passará o dia comigo. Como já vai sendo habitual, levantei-me por volta das 10 horas da manhã e para começar bem o dia fui ao ginásio com a Carolyna. Após o exercício físico, sentámo-nos em frente à piscina da mansão maravilhosa que a Jane escolheu e ao falar nela, eis que ela aparece.
Jane - Bom dia, Carol!
Carolyna - Bom dia, jane! Estávamos mesmo a falar de ti.
Jane - Coisas boas, presumo…
Kevin - Estávamos a comentar o facto de seres incrivelmente linda e como os teus cabelos ruivos deixam-te altamente sexual e que é uma pena não estares de fato de banho.
Jane - Esquece, Kevin! Não vou tirar este meu lindo Givenchy para apanhar sol e além disso, está na hora de saíres do sol.
Kevin - Ainda agora cheguei, já vou sair?
Jane - Neste preciso momento, a rapariga de Toronto deve estar a preparar-se para vir ter contigo.
Kevin - A rapariga de Toronto? A morena?
Jane - Sim, o computador escolheu-a.
Carolyna - Eu lembro-me dessa rapariga. Ela falou comigo na festa de ontem à noite. Pareceu-me ser simpática…
Kevin - Sendo assim, as senhoritas vão dar-me licença que eu preciso de me vestir.
Dei um beijo à Carolyna e à Jane e fui para o meu quarto. Assim que saí do banho e ia abrir o closet para ver o que vestir, reparei que a Jane tinha preparado a minha roupa. Ela sabe que estou nervoso, por isso preparou-me um Costume Slim Fit da Tom Ford em tom marrom com uma camisa azul da Ermenegildo Zegna, Sockless e Mocassim castanho da Gucci e para acompanhar duas braceletes, uma Love da Cartier e Wrist Game do Anil Arjandas e um Rolex Day-Date President dourado. Quando tentava convencer-me de que estava bonito perante ao espelho, a Jane bateu à porta para avisar que a Jessica, mais conhecida como a miúda de Toronto, tinha acabado de chegar.
Nesta nova fase do concurso, cada candidata tem a oportunidade de passar um dia comigo e de me convencer de que merece ficar por mais algum tempo. Caso não consiga, no fim da noite, sou obrigado a eliminá-la, sem misericórdia.
Saí do quarto e quando descia as escadas percebi que estava tão nervoso, como se tivesse a ir fazer uma prova de Matemática e foi quando me recompus e assumi a postura de quem comanda o jogo. A Jessica, sentada na pequena sala de visitas, estava nervosa, via-se a léguas com o seu abanar de pernas. Assim que me aproximei e consegui ter uma visão geral sobre ela, ela apercebeu-se da minha presença e virou-se e cravou os seus lindos olhos verdes nos meus tímidos olhos castanhos. Senti um friozinho na barriga, mas consegui não transmitir o quanto fiquei afetado por vê-la. A miúda de Toronto é quase uma obra-prima, com os seus 1,63m de altura, os cabelos pretos como da Carolyna, os seus lábios grossos e o corpo ampulheta. Combinava perfeitamente com os seus olhos verdes e o seu vestido preto sem mangas com costura fio de ouro e recorte detalhado.
Kevin - Olá, bom dia! Peço desculpa pelo meu atraso.
Jessica - Olá, eu sou a Jessica Cox!
Kevin - Eu sei quem tu és, não precisas de dizer. Mas já agora eu chamo-me Kevin Ellis.
Jessica - Peço desculpa, estou muito nervosa.
Kevin - Não precisas de te desculpar. Eu também estou nervoso. O que achas de eu mostrar-te a casa, assim talvez relaxássemos…
Jessica - Sim, é uma ótima ideia. E a casa parece-me ser muito bonita.
Comecei por mostrar a piscina e a sala de jogos. Depois percorremos o vasto jardim que dá acesso ao campo de basquete e a quadra de ténis. A sala de cinema foi a seguinte divisão e entrámos, posteriormente, no enorme escritório que a Jane montou para mim, que mais parecia uma biblioteca. Sem querer interrompemos a Jane, que falava ao telemóvel. Assim que nos viu, despediu-se da pessoa com quem falava e fez-me um sinal para ir ter com ela. Caminhei até onde ela se encontrava enquanto a Jessica caminhou para a minha mesa de discos.
Kevin - A falar com o namorado na hora de trabalho, menina?!
Jane - Não, não acertaste. Estava a falar com o teu tio. Ele marcou um almoço com aquele investidor que quer comprar o terreno de Bar Harbor.
Kevin - A que horas e onde?
Jane - Daqui a duas horas no La Mar by Gaston Acurio. Não te atrases.
Kevin - Eu nunca me atraso. Agora, tens de sair do meu escritório.
A Jane saiu e fui ao encontro da Jessica, que parecia estar super divertida a mexer nos meus discos e quando me viu, assustou-se e largou o «The Best Of Ray Charles» e lançou-me um olhar envergonhado.
Kevin - Conheces o Ray Charles?
Jessica - Eu amo o Ray Charles! Graças a ele, hoje eu sou cantora.
Kevin - Uau, tu és cantora?! Isso eu não sabia!
Jessica - Afinal não sabes tudo sobre mim.
Kevin - Parece que não. Por isso senta-te e conta-me tudo sobre ti começando com essa história de seres cantora.
Jessica - Quando eu tinha nove anos, em 1999, o meu pai levou-me ao concerto para tentar conseguir um autógrafo dele. Desde os meus três anos que ele colocava os discos do Ray Charles e eu cantei todas as músicas do concerto e no fim levámos um cartaz autografado pelo próprio, que até hoje ainda está na sala de jantar da casa dos meus pais. Eu literalmente fui criada pelas músicas do Ray. A uma certa altura, comecei a escrever músicas por causa dele e a primeira vez que subi num palco foi para cantar a música «Hit The Road Jack».
Kevin - Uau, vais ter que cantar para mim ainda hoje.
Jessica - Se eu cantar não podes eliminar-me.
Kevin - Combinado! Mas enquanto não cantas, quero saber mais sobre ti.
Jessica - A minha vida é chata, não tem nada de interessante.
Kevin - Eu quero saber à mesma.
Jessica - Está bem. Nasci e fui criada em Toronto, - nunca vive noutra cidade -, sou formada em Música pela Universidade de Toronto. O meu pai é professor de música e já pertenceu a uma banda. A minha mãe é chefe de cozinha no Jacobs & Co. Steakhouse e a minha irmã mais nova estuda Direito na Universidade de Toronto. Essa é a minha história.
Kevin - Gostei de ouvir-te e não vais acreditar, mas eu já comi no restaurante da tua mãe.
Jessica - A sério? Mentira…
Kevin - A sério. No ano passado, fui a Toronto para ver o jogo dos play-off da NBA e numa das noites jantei lá.
Jessica - Isso é ótimo! Significa que vou ter mais alguns pontos.
Kevin - Provavelmente… Quantos anos tem a tua irmã?
Jessica - 21.
Kevin - Ótimo. No nosso próximo encontro, convida-a para vir também.
Jessica - No próximo encontro? Isso significa que não me vais mandar para casa?
Kevin - Até agora não me parece que vais para casa, pelo menos até cantares.
Jessica - Que engraçadinho que tu és!
Kevin - Pois sou, eu sei. Agora vou levar-te ao meu lugar favorito da casa. Anda.
Subimos até à varanda do último andar da casa, onde tem a vista mais bonita de toda a Star Island. Dá para ver e observar toda a atmosfera desse lugar e toda a beleza que esse lugar transpira.
Jessica - Oh, meu Deus, Kevin! Essa vista é fantástica. Eu era capaz de dormir aqui só para olhar as estrelas.
Kevin - Podemos experimentar isso mais tarde.
Jessica - Eu ia adorar!
Kevin - Estás a ver aquela casa ali à esquerda? É da Adriana Lima. E aquela que está por trás é do Lebron James e a da frente é do Jay-Z e da Beyoncé.
Jessica - Não acredito! Sabes se a Beyoncé esta lá? Eu vou lá a correr para tirar uma foto.
Kevin - Não devem estar lá, fica para a próxima. Bom, agora precisamos ir. Temos um almoço à nossa espera e digo-te já que vai ser chato.
Jessica - O importante é estar na tua companhia.
Fomos para a garagem, onde tinha um Ferrari California, um Bentley Continental e um Range Rover Vougue estacionados.
Kevin - Escolhe um.
Jessica - Escolha difícil. Escolhia os três, mas vou optar pelo Bentley.
Kevin - Conduzes tu?
Jessica - Eu? Tens a certeza? Eu não sei o caminho e nunca conduzi um desses.
Kevin - Tenho a certeza e podes sempre usar o GPS.
Jessica - Não tens medo que eu estrague o carro?
Kevin - Aconselho-te a não estragares se não queres ver a Jane furiosa.
Jessica - Ai, estou com medo…
Kevin - Relaxa e entra no carro. E não te esqueças que me levas ao teu lado.
Jessica - Não digas isso que não estás a ajudar…
Kevin - Anda lá se não chegamos atrasados.
Demorou um pouco para ela acostumar-se na condução do Bentley, mas em meia hora chegámos ao restaurante. Lá, avistei o meu tio Mark, irmão mais novo do meu pai e tão ‘sacana’ como ele. Ele é dono da Golden Sky Construction & Real Estate, com quase dois metros, barba por fazer e uma ligeira e saliente barriga. Era difícil não se destacar no meio da Soraya, advogada da Golden Sky, e o investidor em frente ao bar do restaurante. Assim que me viu, deu-me um abraço.
Mark - Meu querido sobrinho! Há quanto tempo?! Olha só para ti estás cada vez mais parecido comigo.
Kevin - Não me pareço nada contigo.
Mark - Não sejas desagradável! Tu és parecido com o meu antigo eu. Quem é essa bela jovem?
Kevin - Esta é a Jéssica, minha amiga.
Mark - Muito prazer, menina Jéssica! Eu sou o Mark Ellis. Não te esqueças, Mark Ellis.
Jessica - Muito prazer, senhor Ellis!
Mark - Apenas Mark, por favor. Bom, Kevin, este é o Davi, o investidor que te falei.
Kevin - Prazer, Davi.
Davi - O prazer é meu e obrigado por vir. Eu sei que anda ocupado.
Sentámo-nos na mesa mais próxima ao mar e após terminarmos a refeição principal e antes da sobremesa, o meu tio começou a falar de negócios, que é o objetivo desse almoço, embora eu não tivesse interessado em vender nada para o Davi. Se não viesse a esse almoço teria o meu tio ‘à perna’ durante meses.
Mark - Kevin, meu sobrinho, sabes o quanto eu amava o Frank, mas acho que está na hora de nos desfazermos daquele terreno.
Kevin - Eu já disse que não quero vender o raio do terreno. Apesar de tudo, aquele terreno era importante para o meu pai, que é teu irmão.
Mark - Porra, Kevin! Facilita as coisas… Pelo menos, ouve a proposta do Davi.
Kevin - Está bem. Vamos ver se os números me fazem mudar de ideias.
Davi - Eu trabalho com um grupo europeu, que está disposto a oferecer 500 milhões pelo terreno.
Kevin - Primeiro, quem grupo é esse?
Davi - Confidencial! Não posso dizer o nome.
Kevin - Está bem! Eu aposto que te mandaram começar nos 500 milhões e se eu dizer que é pouco tu vais subir mesmo para quanto?
Davi - O máximo que eles oferecem é 700 milhões.
Kevin - Oh, por favor, Davi! Não sei se o meu tio te disse, mas eu fiz faculdade de negócio, então não brinque comigo e diga o valor final.
Davi - 1,5 bilhões é o valor final.
Kevin - Ótimo! A falar é que nos entendemos. Agora diga-me uma coisa… o que estão a pensar em contruir nesse terreno para oferecerem assim tanto dinheiro por ele?
Davi - É confidencial.
Kevin - Então a minha resposta é não! Porque não gosto de coisas confidenciais. Gosto das cartas fora do baralho! Fim de negócio!
Mark - Deixa de ser um mimado e aceita logo a proposta!
Kevin - Mimado eu? Parece que já te esqueceste que tu és o mimado e o invejoso aqui nessa mesa. Darias tudo para ser o presidente do grupo Ellis, mas em vez de ti, escolheram-me a mim. Eu sei que ainda dói.
Mark - Não, Kevin! Não me dói nada. Eu tenho a minha empresa. Não preciso da herança do meu papá e, além disso, tu és obrigado a levar essa proposta para o conselho do grupo.
Kevin - Acho que já te esqueceste que tu criaste a tua empresa com dinheiro do meu avô e que eu não preciso do conselho para tomar uma decisão, porque não sei se te lembras o conselho é constituído pela minha irmã e pela minha mãe e elas não vão muito com a tua cara, tiozinho.
Mark - Kevin, ganhaste! Conseguiste dizer o que pensas de mim, agora guarda esse teu orgulho e aceita a merda da proposta, porque tu nem gostavas do teu pai. Vocês não se falavam há meses antes dele morrer. Tu nem tiveste ao lado dele quando ele morreu, nem no funeral, porque tu só querias saber do dinheiro dele.
Kevin - Tem piada! Mas tu também não tiveste ao lado do teu irmão querido que já te salvou da falência e que através do terreno dele queres lucrar outra vez. Pensas que eu não sei que se eu aceitar essa proposta, a tua empresa fica encarregada de construir o que for que querem construir. Só que isso não vai acontecer, porque eu quero é que vais à merda, tio Mark. Vamos embora daqui, Jessica.
Mark - Não vais ficar para sobremesa, meu sobrinho querido? Ouvi dizer que têm um doce maravilhoso aqui.
Kevin - Tu tornas tudo amargo e vê se me esqueces, otário.
Entrámos no carro, sem uma única palavra e foi assim a viagem toda. Sinto-me mal por ela ter assistido a esse circo todo com o meu tio, mas a verdade é que ele me tira do sério. Chegámos ao terreno do meu pai em Bar Harbor. Era o único sítio que me apetecia estar nesse momento.
Jessica - Estás bem?
Kevin - Sim, desculpa ter estragado o almoço.
Jessica - Não faz mal! Se quiseres conversar, sou boa ouvinte, eu costumava ser conselheira das relações das minhas amigas no High School.
Kevin - Tu és engraçada.
Jessica - Podes falar. Vai fazer-te bem.
Kevin - Esse terreno, o meu pai comprou pouco tempo antes de morrer. Ele quis fazer algo grande lá, algo que captasse a atenção do mundo.
Jessica - Há quanto tempo ele morreu?
Kevin - Três anos, de suicídio.
Jessica - Sinto muito, Kevin.
Kevin - Ele era um sacana de primeira. Acho que a única solução era a morte.
Jessica - Como era a vossa relação?
Kevin - Nós fomos melhores amigos até dois meses antes dele morrer, quando eu descobri que ele era um filho da mãe, que enganou a minha mãe a vida toda.
Jessica - O que ele fez?
Kevin - Durante anos, ele tinha inúmeras amantes, mas uma das amantes com quem ele estava há cinco anos, a Kate, era a minha melhor amiga. Ela engravidou dele e ele mandou ela abortar a gravidez ao quarto mês. Era arriscado tirar, mas mesmo assim ele insistiu. Dois dias depois ela morreu e, nesse mesmo dia, eu recebi um vídeo de um e-mail anónimo a fazer chantagem. Se eu não pagasse 10 milhões, o vídeo do meu pai e a Kate a fazerem sexo ia viralizar na Internet. Mesmo com ódio dele, eu paguei e quando fui ter com ele, tivemos uma grande discussão e eu me meti num avião para Honolulu e quando aterrei, recebi a ligação da Jane, que na altura era só minha amiga a dizer que ele se tinha suicidado.
Jessica - Não sei o que te dizer. Mas é visível que tu amas o teu pai independentemente do que ele fez e a prova disso é não teres vendido esse terreno. Por isso acho que devias construir algo em sua memória nesse terreno
Kevin - Mas eu não sei o quê.
Jessica - Posso-te ajudar a pensar.
Kevin - Ok, quando tiveres alguma ideia, liga-me.
Jessica - Prometido!
Saímos do Bar Harbor, super animados e fomos para a Star Island. Quando chegámos fomos diretamente para a sala de convívio onde se encontrava o piano. Ela sentou-se no piano e começou a tocar e a cantar «Dance for You», da Beyoncé e fiquei completamente pasmado a olhar para ela e por um instante apeteceu-me parar o concurso e ficar com essa mulher. Assim que ela terminou ficou a olhar para mim à espera de uma reação minha.
Jessica - Então, gostaste?
Kevin - Acho que vais até à final. Por enquanto é o que consigo dizer-te.
Jessica - Oh, meu Deus, a sério? Estou tão feliz! Quando vi que era eu que ia ter o encontro contigo achei que voltaria hoje para Toronto.
Kevin - Acho que devíamos acabar esse encontro com um beijo.
Jessica - Óbvio! Estás à espera que eu te beije ou tu me beijes.
Kevin - Não seja por isso. Anda cá que eu beijo-te com todo o gosto
Jessica - Cuidado, não te apaixones.
Kevin - Tu é que já te apaixonaste. Agora cala a boca e beija-me.
Comentários
Enviar um comentário