Coimbra, 30 de abril de 2003 Jacinta, Para presenteares-me com o teu desprezo e provar a minha insignificância, não precisavas de dar-te o trabalho de escrever uma carta tão extensa e enfadonha, nem apresentar razões tão ridículas para acabares com essa história, bastava apenas seres sincera, que dói-me menos!! Se prefere outro tipo de homem, rude e desajeitado, completamente o oposto de mim, não poderei fazer nada, senão aceitar a tua escolha. Não tens obrigação e nem necessidade de me amar, por isso não adiantou-te de nada fingires tal sentimento. Quem tem consideração por alguém, não escreve cartas que parecem discursos políticos, o amor não é como eleitores que precisam ser iludidos para votarem. Porque não foste sincera comigo? Que gozo tem em fazer sofrer alguém que só lhe fez bem. Confesso que tudo isso chega a ser engraçado e devo concordar que fui o palhaço dessa comédia romântica, eu próprio ri-me disso tudo, apesar da dor que sinto. Admira-me esse prazer que t...
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